"Valentina"
Eu peguei a bolsa e a canga da Carmela nas mãos da minha amiga, que tentava esconder o sorriso, pois sabia que eu ia a forra. Eu passei pelos convidados e fui até a Carmela, que já estava do lado de fora da porta e me encarou com as mãos na cintura e travando os dentes.
- Você mexeu com a mulher errada, girafona biscate! - Eu falei baixinho e sorrindo, para que só ela me escutasse.
- Você acha mesmo que a minha mãe vai conseguir me impedir de reconquistar o Dante? - Ela me desafiou e eu continuei sorrindo.
- Girafa oferecida, você não tem a menor chance com o meu Dante! Você não percebeu isso? Vai continuar se humilhando? Sabe, eu até acho que você ainda consegue salvar a sua reputação entre as pessoas que estavam no baile, mas para o público em geral você já é a maior biscate da cidade! Sabe o que isso significa nesse seu meiozinho social? Que nenhum bom partido da cidade vai te levar a sério. E eu sei que o filho do conselheiro Pimenta era o seu plano B, mas depois de hoje... não sei. - Eu destravei o meu celular e mostrei a ela a notícia que o Guto havia publicado sobre o baile. - Quando chegar em casa, dá uma lida, o Guto escreveu um artigo lindo. Ah, e vai ter parte dois. Agora pega essa bolsinha e esse retalho de pano e vaza!
- Valentina, você...
- Fausto, acompanhe a Srta. Malta até o carro, por favor, e se certifique de que ela deixou a propriedade. - Eu mal terminei a frase e o meu fiel escudeiro já estava a postos.
A Carmela Malta pegou suas coisas e marchou furiosa e humilhada até o seu carro, batendo a porta com força. O roteiro da Aurélia para me causar problemas havia fracassado e aquelas duas agora teriam que lidar com o que fizeram exposto para o mundo. Eu me virei e voltei para dentro de casa com um sorriso elegante.
- Senhoras e senhores, por favor, vamos recomeçar. Nada aconteceu aqui. - Eu falei docemente. - Sejam bem vindos, é um grande prazer recebê-los! Vamos passar para a sala, por favor.
Pela primeira vez eu olhei para o Dante, os olhos dele tinham um brilho que eu não consegui decifrar. Enquanto os convidados passavam para a sala principal e o Pierre e o Luci se derretiam em simpatia para as mulheres, todas suas clientes, o Dante segurou o meu braço.
- Uma palavrinha, Sra. Montenegro. O Murilo e a Tatiana podem se ocupar dos convidados por um minuto. - Ele olhou para o Murilo e a Tati que estavam fazendo a maior cara de paisagem e eles entraram na sala sem questionar, como se não tivessem participado de nada.
O Dante me conduziu até a sala de jantar e me encurralou no canto perto da porta, colocando as duas mãos na parede e me prendendo entre os seus braços.
- Você teve a ideia brilhante de fazer uma reunião social com os dez homens mais importantes do Conselho de Administração da holding e a filha do que tem a palavra final sobre os outros estava aqui tentando me seduzir por mera coincidência? - Ele olhou nos meus olhos, bem sério.
- Eu diria que foi providência divina, mauricinho, porque Deus é justo. Ah, mas ele é muito justo! - Eu falei mantendo a seriedade e ele me agarrou pela cintura, me puxando para si e falando bem perto da minha boca.
- E você é impossível, Encrenca! Eu tenho que admitir que foi um plano bem elaborado. - Ele sorriu. - Só me diz uma coisa, você teve esse trabalho todo só porque ficou com ciúmes de mim?
- Ciúme? Que ciúme? Eu desconheço tal emoção. - Eu passei os braços pelo pescoço dele. - Você me deu carta branca. Eu usei!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal