"Valentina"
Eu olhei para a Tatiana chocada, parecia até que ela não me conhecia. O estúdio era meu e se eu quisesse um sócio era eu quem decidiria. Mas por outro lado eu entendia a preocupação dela, afinal, a minha vida tinha mudado completamente.
- Tatianaa! Ele não me deu nada. Ele derrubou o meu estúdio e só pagou por isso. - Eu a lembrei.
- E mesmo que eu tivesse dado, eu não me oporia, Tatiana. E nem me meteria nas decisões da minha esposa, a menos que fosse consultado. Pelo contrário, acho que a Valentina está tomando uma decisão justa e inteligente. Eu te apóio, Encrenca! - O Dante declarou.
O Dante não precisava ter declarado o seu apoio, mas ouvir dele que ele me apoiava era muito importante. Entre tantas coisas que nós estávamos construindo de um jeito bem inusitado, estarmos ali um para o outro e nos apoiarmos era algo que me dava confiança de que aquele casamento poderia dar certo. Nós éramos sinceros um com o outro, confiávamos um no outro e estávamos dispostos a enfrentar o mundo juntos. Eu achava que esse era um bom começo para um casamento.
- Sim ou sim, Tatiana? Ou claro? Vai, responde, me satisfaço com qualquer uma dessas opções. - Eu declarei.
A Tati limpou as lágrimas e fungou. Eu a tinha pego desprevenida. Eu nunca ofereci sociedade para a Tati porque o meu estúdio antigo vivia cheio de problemas e eu não achava justo arrastá-la para as dívidas e responsabilidades, embora ela sempre me ajudasse e lidar com todos os inconvenientes. Mas agora era diferente, eu tinha uma estrutura e um capital que me davam possibilidades e eu não tinha dúvida de que o estúdio seria um sucesso.
- Tem certeza disso, Tina? - Ela perguntou e eu fiz que sim. - Então e claro, óbvio que eu quero ser sua sócia. - Nós nos abraçamos e eu senti que finalmente o estúdio estava pronto para ser inaugurado.
- É assim que se fala! Era isso que faltava, agora podemos marcar a inauguração! - Eu falei abraçada a minha amiga. - Dornelles, coloca a Tatiana Elisa como minha sócia. Você tem até amanhã de manhã para fazer isso.
- Ah, não, outra noite em claro eu não aguento, Tininha. Só se eu tiver uma gratificação. E eu não estou falando de dinheiro. - O Murilo deu um sorriso safado para a Tati.
- Não seja mesquinho, Lilo! Eu faço o jantar enquanto você faz o que a Tina pediu. - A Tati sugeriu.
Eu olhei para os dois, a liberdade com que a Tatiana ia e vinha da casa dele, o entrosamento que eles tinham... ou eles realmente eram os melhores amigos do mundo ou ainda estavam com medo de admitir um para o outro que estava rolando um clima.
- Eu quero outro pagamento, Morena. - O Murilo sorria cheio de malícia.
- Fala logo, Dornelles, o que você quer? - A minha curiosidade era incontrolável.
- Quero que a Morena faça um show particular para mim. - Ele respondeu com total tranquilidade e os olhos fixos na Tati.
- U-um s-show? - Ela gaguejou nervosa.
- Sim! Aquela coreografia que você e a Tininha fizeram e mandaram o vídeo para o Dante e para mim... eu quero ver ao vivo. - O Murilo deu o bote.
- Malandro é o gato que já nasceu de bigode, hein, Dornelles?! E ainda come as gatinhas em cima do muro! - Ele riu e deu de ombros.
- É só uma dança. Uma dança que eu quero muito ver ao vivo. E então, Tatiana, o que me diz? - O Murilo insistiu.
- N-não posso! Tenho que estar bem cedo na empresa amanhã, não tenho, poderoso patrão?
- Na verdade, Tatiana, não tem não. - O Dante cruzou os braços ao lado do Murilo.
- Você vai me demitir mesmo? - A Tati se lembrou do que o Dante havia dito.
- Não, Tatiana. A menos que você queira se demitir, agora que é sócia da Valentina. Mas eu gostaria que você continuasse trabalhando para mim, só que em outra função. É um cargo melhor, com uma remuneração muito melhor.

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