"Valentina"
Enquanto o Dante e eu observávamos o carro do Murilo se afastar, outro carro que chegava chamou a minha atenção, especialmente pelo fato de que o seu ocupante bateu a porta com uma força absurda depois de sair e caminhou em nossa direção com os olhos vidrados de raiva.
- Foi coisa sua, não foi, Dante? Foi você quem armou esse joguinho só para me humilhar! - O Otto se aproximou de nós gritando, com o rosto desfigurado pela raiva.
- Abaixe o tom! - O Dante proferiu seco. - Eu não sei do que você está falando!
- Não sabe... como não sabe, seu cretino? Admite logo que fez o seu amiguinho fingir me oferecer um emprego só para me humilhar. - O Otto gritou.
- E você conseguiu o emprego, Encostado? - Eu perguntei fingindo inocência.
O Otto se virou para mim quase babando de raiva.
- Fica fora disso, dançarina de cabaré! - O Otto respondeu e se um olhar pudesse matar, eu estaria morta.
- Ah, não consigo! - Eu sorri e o Otto quase pulou no meu pescoço.
- Otto, chega! Eu não sei do que você está falando e nem poderia saber. A Valentina e eu passamos a tarde com alguns conselheiros e suas esposas, uma reunião que a Valentina levou horas organizando. Nenhum de nós tem ou teve tempo para sequer pensar na sua existência. - O Dante rebateu o primo com frieza.
- Encostado, se alguém te ofereceu um emprego, que bom pra você. Mas se você não demonstrou capacidade, até porque não tem, e por isso não conseguiu o emprego, o problema é seu. Talvez você devesse procurar algo mais compatível com as suas habilidades. - Eu sugeri e o Otto chegou a rosnar.
- Sai de perto dela, Otto! Ou os seguranças nem vão te deixar entrar. - O Dante respondeu com a voz cortante.
O Otto se afastou, passando por nós. A raiva dele era palpável. No entanto, mesmo com raiva, ele continuava sendo um grande covarde que não nos enfrentava de frente.
- Você vai se arrepender de ter casado com essa mulher vulgar, Dante. Ela será a primeira a trair você! - O Otto lançou o seu veneno antes de começar a subir as escadas.
- Você vai me contar o que você e o Murilo aprontaram para deixar o meu primo tão estressado? - O Dante perguntou com um meio sorriso assim que o Otto desapareceu no andar superior.
- Ué, Montenegro, você não tem as suas fontes? Pergunte para elas! - Eu dei de ombros. - Eu me afastei dele, mas ele segurou a minha mão. - Vou até a cozinha dispensar as garotas e pegar um lanche para comermos mais tarde no quarto. Quer alguma coisa especial?
- Quero! - Ele me puxou de uma vez, me fazendo colidir contra o seu peito. - Você de calcinha e sutiã na minha cama. - Ele roçou os lábios no meu ouvido.
- Quanta audácia! Desde quando o Lorde Chicletinho é tão atrevido?

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