"Valentina"
Diante de nós se estendia um haras monumental, um paraíso cercado por gramados intermináveis de um verde vivo, cercas brancas de madeira perfeitamente alinhadas e cocheiras de onde cavalos puro-sangue imponentes se exibiam ao sol. Nós passamos pelos cavalos, pela pista de equitação e logo depois um lago onde nadavam patos e cisnes. Depois de alguns metros do lago, rodeada de arvores frutíferas que pareciam protegê-la, erguia-se uma bela e acolhedora casa de campo, com tijolinhos aparentes e uma varanda que a circundava e exalava uma calmaria e uma paz imperturbável.
Eu saí docarro e olhei para a casa como se estivesse hipnotizada por ela. Havia plantas e flores por todos os lados e os beija-flores vinham fazer o seu trabalho nas flores amarelas da trepadeira que contornava os arcos da varanda. Era como entrar em um lugar encantado. Eu estava deslumbrada e sem palavras, tentei forçar um meio sorriso, mas eu senti que tinha ficado transparente e qualquer um poderia ver como eu estava maravilhada com aquele lugar. Eu girei devagar, olhando a paisagem em trezentos e sessenta graus e parei encarando o Dante.
- Bem vinda ao Haras Montenegro, Encrenca! - O Dante falou devagar, com um sorriso amplo.
- Muito lindo o seu parquinho de diversões de fazendeiro, mauricinho… - Eu o provoquei. - Mas me diz, porque exatamente você me trouxe aqui? Para se exibir mais um pouco, já que a sua torrezinha não me impressiona?
O Dante deu meio passo na minha direção, me envolveu pela cintura com os seus braços fortes e me esmagou contra o seu peito, não deixando nenhuma distância entre nós. Ele colou os lábios na minha orelha e a sua voz grave saiu provocando deliciosos arrepios na minha nuca e me fez derreter por dentro.
- Eu tenho uma torre que te impressiona bastante e não adianta negar. - Ele esfregou o quadril no meu de modo sugestivo. Ele era um safado por baixo daquela aparência de lorde.
- Ela parece interessante, mas eu ainda não sei se me impressiona. - Eu brinquei e ele me encarou estreitando os olhos.
- Ainda não sabe? - Ele perguntou como se quisesse uma explicação.
- É que não importa se é uma grande torre, isso eu sei que é, mas eu ainda não pude verificar as funcionalidades. - Eu sorri e mordisquei o queixo dele.
- Funcionalidades... está certo. - Ele riu. - Semana que vem eu vou te mostrar as funcionalidades.
- Promessas, Montenegro... apenas promessas! Mas palavras o vento leva...

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