"Tatiana"
Eu olhei para o Murilo e comecei a rir. Eu poderia dançar nua na frente dele e ele não daria a mínima, porque o interesse dele era realmente na dança. Eu estava desconfiada que ele queria aprender. Aliás, eu estava desconfiada de muitas coisas em relação ao Murilo. De acordo com a Aline, ele era super discreto e ninguém nunca o viu com mulher nenhuma. Eu tinha a minha teoria e eu não costumava me enganar quanto a isso.
- Quem te escuta até pensa. - Eu comecei a rir. - Quer saber, Lilo, vou dançar pra você essa semana... e vou dançar sem roupa. - Eu dei um sorriso convencido, mas sabendo que não o afetava.
- Morena, não brinca, porque eu sou advogado e conheço mil e uma maneiras de te convencer a cumprir o que está prometendo. - Ele levou na brincadeira como eu sabia que faria.
- Tô falando sério. - Eu respondi. - Agora vamos parar de papo furado. Cadê aqueles dois, hein? Eu quero saber o resultado do exame da Tina.
- O Dante levou a Tininha para passear, ela ficou muito estressada porque o médico disse que só vai ter o resultado definitivo semana que vem, mas que tudo indica que deu certo.
- A Tina deve estar louca, ela é muito ansiosa. Mas eu tenho certeza que deu certo. - Eu sorri, estava torcendo muito pela minha amiga e ela precisava desse bebê, não pelo Dante, mas por ela mesma. A Valentina tinha um coração enorme e seria uma mãe incrível. - O poderoso patrão disse que ia me mudar de cargo, você está sabendo alguma coisa?
- Eu estou sabendo de tudinho! O Dante deixou sob a minha estrita responsabilidade te encaminhar ao seu novo setor. - O Murilo pronunciou devagar. - Eu tenho o prazer de te informar, Morena, que você foi formalmente promovida a assistente executiva da diretoria jurídica. Você agora trabalha grudadinha em mim, bem ao lado da minha mesa. O Dante assinou tudo eletronicamente e a sua promoção já foi efetivada no recursos humanos. - O Murilo tinha um sorriso triunfante no rosto.
Eu travei na cadeira com as palavras dele. Eles estavam loucos era isso? Eu jamais aceitaria aquilo! Eu senti a raiva fervendo dentro de mim e o meu rosto esquentando.
- Não vai falar nada? Comemorar? Qualquer coisa? - Ele perguntou e eu só conseguia encará-lo furiosa.
O Murilo Dornelles achava mesmo que eu ia dar pulinhos de alegria por causa de um favorecimento só porque éramos amigos e eu era amiga da Valentina? Ouvir as palavras dele foi um verdadeiro soco no meu orgulho. Eu estava esperando ser transferida como recepcionista de um dos andares de diretoria, mas assistente executiva do número dois das Indústrias Montenegro? Não, isso era demais e eu sabia que não merecia. Eu não aceitaria ser tratada como a protegida sem capacidade que ocupa um cargo desses porque é amiga de alguém importante.
Eu sabia muito bem o que estava rolando na cabeça arrogante dele. Se eu aceitasse aquele cargo cavado pelo favoritismo dele, todos os funcionários da empresa iam espalhar a fofoca de que eu era a piranha de liquidação que o advogado colocou na mesa para brincar durante o expediente! Ele estava fazendo aquilo para se blindar, para continuar mantendo a fachada. Minha dignidade não aceitava aquilo, não aceitava piedade ou favor de homem nenhum, por mais que eu gostasse dele.
- Pode engolir essa promoção e restabelecer o meu salário e o meu cargo na recepção geral, Dr. Dornelles! - Eu disparei com uma frieza disfarçando a minha raiva, cruzando os braços sobre o peito e o encarando de forma desafiadora. - Eu não aceito essa presepada que vocês armaram!

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