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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 17

"Valentina"

No segundo em que cruzei a porta da clínica de fertilidade, o calor que havia se acumulado no banco de trás do carro evaporou, substituído pelo ar condicionado gelado e asséptico do lugar. O ambiente era todo branco, minimalista e exalava um cheiro de desinfetante caro misturado com silêncio. Nós fomos guiados por um corredor onde as luzes de LED pareciam um raio-x que via através de mim.

Entramos em um consultório grande e nos sentamos diante da imensa mesa de vidro do Dr. Salvador, conforme estava bordado no jaleco, e eu não pude deixar de pensar na piada que era o nome do médico diante do que estávamos fazendo ali, buscando algum tipo de salvação para o Dante, que mantinha a sua postura de rei, com os dedos longos batendo levemente no joelho, enquanto o médico abria o prontuário digital.

- Boa tarde, Sr. Montenegro, Srta. Torres. - O especialista cumprimentou de forma estritamente técnica. - O Dr. Murilo me informou a urgência do caso. Vamos iniciar a triagem hoje. Srta. Torres, a senhora passará por exames de sangue e ultrassonografia para avaliarmos a sua reserva ovariana. Estando tudo correto, iniciaremos o protocolo de estimulação hormonal na próxima semana. Serão injeções diárias na região do abdômen para amadurecer os folículos para a coleta.

- Injeções diárias? - Eu perguntei alarmada. - Ninguém me falou de injeções... não, não, não... isso não vai acontecer.

- Qual o problema com as injeções, Valentina? - O Dante perguntou seriamente.

- Eu tenho pavor de agulhas. Eu faço exames de sangue apenas quando estritamente necessário e por absoluta impossibilidade de passar a vida sem eles. Não vou me espetar com uma agulha na barriga todos os dias voluntariamente. Não dá. Eu não consigo.

- Srta. Torres, fique tranquila, as agulhas são muito finas, a senhora não sentirá nada, talvez algo como uma picada de formiga, nada demais.

- Não dá! Não posso. Eu tenho pavor. Eu não suporto a ideia de alguém colocar uma agulha em mim, impossível que eu mesma faça isso voluntariamente. - Eu estremeci. O médico me olhava com um meio sorriso, enquanto o Dante parecia estarrecido.

- Eu vou dar um minuto para vocês. Mas, infelizmente, as injeções e os exames de sangue são parte essencial no protocolo. - O médico informou e saiu do consultório.

Assim que a porta se fechou eu me levantei, esfregando as mão nervosa, sentindo um suor frio escorrer na minha nuca. Em que eu tinha me metido? Eu não ia conseguir aplicar aquelas injeções. Eu sabia que não conseguiria.

- Qual o problema, Valentina? Eu pensei que já havíamos superado a questão de ter um filho. - O Dante me encarou e eu me virei para ele, já estava tremendo com a ansiedade de pensar nas agulhas.

- Eu não consigo, Dante. - A minha voz saiu embargada. - Olha, eu entendo a sua necessidade de ter um herdeiro, mas nós podemos adotar... não podemos?

- Processos de adoção levam tempo e eu não tenho todo esse tempo. Além do mais, eu quero um herdeiro que carregue o meu DNA. - Ele esfregou os olhos.

- Você não vai estar aqui para criar esse filho. - O soluço escapou da minha garganta enquanto as lágrimas caíam dos meus olhos. Eu já estava em pânico.

Ele se levantou e parou na minha frente, segurando os meus ombros com determinação.

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