Entrar Via

Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 18

"Valentina"

Assim que o Dante abriu a porta principal da sala o Murilo Dornelles entrou com sua pasta de couro preta sob o braço, mas ele não estava rindo como das outras vezes. Atrás dele, vinha um homem mais velho, de terno cinza-chumbo e postura solene, carregando um livro de registros pesado.

- O que é isso? Vai todo mundo participar da consulta? - Eu perguntei, ajeitando o blazer azul no corpo e encarando o Dante.

- Isso é parte da blindagem, Sra. Montenegro. - O Murilo respondeu, abrindo um sorriso rápido, mas profissional, enquanto o homem mais velho se sentava na cadeira que o médico havia desocupado. - O Dante teve a brilhante ideia de blefar com a Aurélia hoje cedo dizendo que vocês já estavam casados. O Otto já acionou o jurídico para checar os cartórios da cidade. E eu estou tendo que me virar para transformar a mentira em realidade jurídica incontestável. Me desculpe por isso não ser da maneira habitual.

O homem de terno cinza se apresentou como o Juiz de Paz amigo de Murilo e se desculpou pelo atraso. Ele abriu o livro oficial sobre a mesa de vidro.

- Srta. Valentina Torres, os documentos de união civil com regime de separação total de bens já foram pré-aprovados. Só faltam as assinaturas de vocês para que o casamento seja válido perante as leis a partir... de ontem à noite.

Olhei para a página do livro, preenchida com todas as informações e a data do dia anterior. Eu estava em uma clínica de fertilidade, prestes a me casar no papel com um homem lindo e moribundo dentro de uma sala de exames. Nada daquilo fazia sentido, nada daquilo era o casamento dos sonhos de qualquer mulher. Mas quando lembrei do rosto ganancioso do primo Otto e da cara da perua fútil da Aurélia, eu soube que aquele era o meu lugar. Eu dei a minha palavra ao Dante, eu era a blindagem dele.

Ele me olhou por um momento, como se esperasse que eu protestasse, mas eu fiz um aceno positivo de cabeça. Ele tirou a caneta do bolso interno do paletó e assinou o livro, com letras imponentes e firmes. E depois me ofereceu a caneta.

- Onde eu assino, Dornelles? - Eu perguntei num tom leve, o deboche retornando para a minha voz para mascarar a emoção.

- Bem aqui, minha nova patroa. E não se esqueça de assinar Montenegro. - Murilo apontou, os olhos brilhando com puro divertimento. - Você vai manter o Torres?

Eu fiz que sim e ri, o Murilo era uma figura. Assinei meu nome com um traço firme, ouvindo o estalo do carimbo do juiz de paz logo em seguida. O contrato que assinamos no dia anterior havia se tornado uma fortaleza legal. Eu era, oficialmente e perante a lei, a Sra. Valentina Montenegro. E a guerra daquela família estava prestes a subir de nível.

Assim que o médico voltou para o consultório, ele já não me tratava mais como Srta. Torres. Ele prosseguiu com todas as informações da consulta. Injeções diárias. Hormônios na minha barriga. Meu estômago deu uma volta completa e eu estava zonza só de ouvir. Olhei de soslaio para o Dante. Ele ouvia tudo com a mesma serenidade com que me encarou a primeira vez que eu estive diante dele.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal