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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 176

"Dante"

A recepção do consultório do Hércules Medina foi projetada para acalmar os pacientes que aguardavam, oferecendo conforto total e acolhimento, além de deixar claro que o médico que atendia ali era bem sucedido e competente. O brilho do mogno polido combinava com as poltronas off-white macias e as luzes indiretas criavam um clima relaxante. Porém, eu continuava tenso.

Não houve nenhuma dificuldade na recepção. Assim que eu me apresentei ela sorriu e interfonou para o médico. Eu sabia que o Hércules não poderia se recusar a me atender, porque ele nunca havia recusado antes e ele certamente sabia que, nas circunstâncias atuais, me recusar despertaria suspeitas.

- Os senhores podem entrar. - A secretária anunciou colocando o fone no gancho. Eu me apressei em direção ao consultório.

O Hércules estava sentado atrás da sua imensa mesa diretora, cercado de papéis e com uma aparência preocupada. No entanto, a nossa visita não parecia tê-lo surpreendido. Ele se levantou para nos oferecer um aperto de mãos educado e indicou os sofás no canto da sala.

- Dante… Dornelles… não posso dizer que a visita de vocês me surpreende. - O Hércules Medina pronunciou devagar, com a sua voz grave, mas um pouco trêmula, tentando soar simpático e calmo. Mas ele estava longe de estar calmo. - Vocês vieram tratar sobre os termos daquela denúncia que você protocolou junto ao Conselho de Medicina por quebra de ética e sigilo de prontuário, Dante? Você há de convir comigo que foi um tanto exagerado da sua parte. Afinal, eu apenas quis acalmar a sua família e...

- Hércules, não gaste o seu latim! - Eu o interrompi. - Você sabe melhor do que eu que jamais poderia falar do meu diagnóstico com absolutamente ninguém. É a ética médica, Hércules. E eu sempre acreditei que você fosse um médico ético.

- Ora, Dante... - O médico deu um riso nervoso. O meu olhar incidia sobre ele, duro, frio, impiedoso. - Dante, vocês são a família Montenegro... como eu poderia dizer não para a Aurélia que estava extremamente preocupada com voc...

- Pode parar por aí, Hércules! - Eu o interrompi mais uma vez. - Você sabe muito bem qual a minha relação com a Aurélia. A minha mãe estava neste hospital, aos seus cuidados e você presenciou o que a Aurélia fez com ela.

- Dante, já faz tanto tempo... eu pensei que isso já tivesse sido superado. - O médico tentou parecer pragmático.

- Faz tempo para você! Não para mim! - Eu rebati. Por um segundo eu o encarei, avaliando o seu desconforto com a minha presença. - Muito bem, Hércules, eu vou facilitar para você, em consideração aos seus anos de bons serviços prestados. Mas vou deixar claro, não quero mentiras, tampouco desculpas. Então é melhor você me dizer a verdade ou ser muito convincente, porque se eu não ficar satisfeito com as suas respostas, eu destruo você assim que sair daqui. Eu acabo com a sua carreira e o seu hospital.

O médico fechou os olhos absorvendo as minhas palavras e o leve tremor das mãos dele ficou evidente para mim que prestava atenção a cada mínimo movimento dele. Ele estava acuado e com medo.

- O que vocês querem saber? - Ele falou por fim, se dando conta de que não tinha para onde fugir.

- Vamos começar pelo mais fácil. O que o Otto tem contra você? - Eu perguntei diretamente, sem rodeios e o médico estremeceu.

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