"Valentina"
O nosso novo estúdio de dança estava tão silencioso que parecia um lugar isolado do mundo. Mas isso em breve ia mudar. Longe de toda a rigidez sufocante da casa e da empresa do Dante, ali a minha independência financeira ganhava vida. Era o meu mundo. Onde eu me sentia na minha própria pele.
Assim que entramos a Tati jogou o paletó do Murilo sobre o balcão da recepção. Pelo que eu entendi o Murilo ameaçou chamar a segurança para vestir nela o paletó antes de sair, caso ela se negasse. Conhecendo a minha amiga, ela tinha feito a manhã do advogado um inferno.
O estúdio estava impecalvemente limpo, cortesia do Sr. Dante Montenegro. Quando eu o avisei, voltando do haras, que pretendia vir para o estúdio, ele disse que mandaria fazer a limpeza. Eu pensei em protestar, mas antes que eu abrisse a boca ele disse que era o ato final dele no cumprimento do nosso contrato e que ele não voltaria a se meter.
- Tati, precisamos inaugurar. - Eu me sentei no chão, encostada na barra central, tomando um refrigerante.
- Esse lugar está lindo! Ela olhou em volta com os olhos brilhando. Eu não sei como te agradecer, Tina.
- Agradecer pelo que? - Eu olhei para ela, que estava começando a ficar emotiva. - Tati, você sempre foi a pessoa em quem eu pude confiar. Você me ajuda em tudo. Você se mete em confusão por mim. Esse lugar é nosso e você não tem que agradecer nada. Eu não estou te dando nada, Tati. Você trabalhou por isso.
- Você tem um coração de manteiga por trás dessa marra toda! - Ela sorriu. - Eu sempre vou estar com você. E quando você estiver de licença maternidade, não se preocupa, eu cuido de tudo.
- Eu sei que cuida. Mas eu gostaria muito de inaugurar antes de tirar a minha licença maternidade. - Eu olhei para ela com um sorriso e uma ideia. - O que você acha de inaugurarmos na semana que vem, com um coquetel bem legal e aulas experimentais?
- Aulas experimentais. Mostrar para os nossos futuros alunos o quanto o nosso negócio é irresistível. Gostei! E se o nosso coquetel for cheio de coisinhas saudáveis? A gente pode pedir a D. Marta para nos ajudar. Aquela mulher é boa com organização de evento, o chá do domingo foi espetacular. - A Tati sugeriu.
- Taí! Gostei da ideia. Vou oferecer um extra para ela. D. Marta tem uns contatos maravilhosos de buffet. - Eu comentei no momento em que o Fausto abriu a porta do galpão e deixou nosso convidado entrar.
- Ooh là là! C'est magnifique! - O Pierre entrou olhando para todos os lados.
- Ô fracês da Shopee, se for começar a falar com a língua enrolada pode voltar daí mesmo! - A Tati implicou com ele, que deu uma bela gargalhada.
- Não sou tão da Shopee assim, gata! Mamãe realmente me registrou como Pierre. - Ele deu um sorriso convencido.
- É, Pierre Pereira, muito francês... - Eu entrei na brincadeira.

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