"Valentina"
A minha gargalhada interrompeu a euforia dos eufóricos jogadores, que levantaram os olhos das cartelas e fizeram um silêncio repentino. O Dante e o Murilo se levantaram e vieram em nossa direção. Eu suspeitava que o sorrisinho convencido do Murilo tinha alguma coisa a ver com o fato de que a Tati estava usando o paletó cinza dele com as mangas dobradas e suspensas até os cotovelos. Eu olhei para a minha amiga pelo canto do olho e vi o esforço que ela fez para manter a cara de poucos amigos. Mas aquele silêncio foi quebrado pela voz alegre de um senhor sentado em frente a minha avó.
- Bonitona, depois que você veio morar aqui esse lugar ficou muito mais animado com esses jovens aparecendo por aqui todo dia.
Os risos e a concordância se espalhou pela sala, enquanto o Dante se aproximava e pegava a minha mão.
- Oi, Encrenca. - Ele falou com a voz baixa e aquele sorriso que fazia parecer que o mundo deixava de existir a nossa volta.
- Eu estou me perguntando, Dante Montenegro, o que vocês dois estão fazendo aqui em pleno horário de expediente na sua empresinha. - Eu o encarei com fingida irritação.
- Nós viemos visitar a vovó, pedir uns conselhos sobre como lidar com duas mulheres cheias de personalidade e eu estou a dois números de ganhar um cachecol xadrez.
- E o que você vai fazer com um cachecol xadrez, mauricinho? - Eu perguntei e os olhos dele brilharam de malícia.
- Eu posso pensar em pelo menos três ou quatro coisas que eu gostaria de fazer com um cachecol xadrez e você... - Ele se aproximou, abaixando a voz a um sussurro que só eu podia ouvir. - Na nossa cama!
Ele passou o braço pela minha cintura e me deu um beijo rápido. A nossa plateia, que parecia uma turma de adolescentes de quinze anos e não avós respeitáveis, reagiu com nenhuma maturidade, com palmas, assobios e gritos de incentivo como "beija direito". E o Dante, exibido como era, me deu um beijo intenso e longo, carregado de algo que me deixava nas nuvens. Os gritos e comemorações na sala ficaram ainda mais animados.
- Puxa, esse foi no melhor estilo "Casablanca"! - O mesmo senhor em frente a minha avó voltou a falar. - O que você acha, Bonitona, de assistir ao filme comigo mais tarde?
- Depois falamos sobre isso, Alfredo. - Eu ouvi a minha avó responder, pondo fim a conversa. - Andem, crianças, venham se sentar para terminarmos essa rodada.
- Vó, nós viemos te buscar para um passeio no shopping. - Eu falei e me aproximei para dar um beijo na minha avó, que me apertou em um abraço aconchegante e de onde eu nunca queria sair.
- Hoje não, Tininha! É tarde de bingo. E eu não vou trocar o bingo por uma voltinha no shopping. - Ela decretou como se fosse um compromisso importantíssimo. - Além do mais, os meninos vão levar vocês para jantar para comemorar a promoção da Tati.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal