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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 20

"Dante"

Assim que entramos no imenso hall de entrada, o clima frio da casa nos atingiu. E ali, de pé perto da imensa escadaria, estavam os abutres. O Otto segurava um calhamaço de papéis impressos, com o rosto habitualmente cínico transformado em uma máscara de puro ódio. A Aurélia estava ao lado dele, os braços cruzados sobre o terno de grife, espumando. Eu até imaginava a razão da pequena reunião, eles haviam mandado o jurídico checar os cartórios da cidade porque duvidavam que eu estivesse casado, mas o Murilo havia sido mais rápido. O registro retroativo do casamento civil real estava lá, incontestável. Eles haviam perdido a chance de me interditar.

O Otto deu dois passos na nossa direção, os olhos fixos em mim.

- Primo, que bom que você chegou. Nós precisamos conversar seriamente. Vamos ao escritório...

- Eu não tenho nada para falar com vocês, Otto. O que você quer? - Eu respondi seco.

- Primo, isso é assunto de família. - O Otto me encarou seriamente.

- Então desembucha, primo encostado. Porque eu sou da família já que sou a esposa do Dante. - A Valentina levantou a mão exibindo os anéis. - Se bem que... Chicletinho, nós deveríamos perguntar ao Dornelles se madrasta perua é família. Será que é? - A Valentina perguntou e eu tive o prazer de ver a Aurélia ficando vermelha de raiva.

- Você colocou o anel da sua mãe no dedo dessa desqualificada? - A Aurélia bufou.

- Acho bom você respeitar a minha esposa, Aurélia! - Eu a adverti. - E como você disse, era o anel da minha mãe e agora é o anel da minha esposa e vocês não têm nada com isso.

- Desde quando, Dante? - O Otto sibilou, jogando as folhas na mesa de centro de mármore. - Desde quando você estava de caso com essa… essa mulher? Eu mandei investigarem. O estúdio de pole dance dela foi lacrado pela holding. Ela estava brigando na justiça contra as Indústrias Montenegro até ontem! Por culpa dela nós perdemos muito dinheiro e aquela demolição demorou um ano para acontecer. Como você me explica um casamento civil legítimo com uma mulher que estava processando a nossa empresa?

Eu ia responder, mas Valentina deu um passo à frente, desabotoando o seu blazer novo com uma lentidão calculada que prendeu a atenção de todos. Eu me recostei na parede, mantendo a minha calma e ajeitando os punhos da camisa com total desdém, sabendo que a Valentina ia responder com toda a gentileza de um coice de mula.

- Deixa que eu te explico, encostado. - Ela disparou, a voz ecoando pelo hall como se ela fosse uma deusa baixando um decreto para a humanidade. - O seu primo, meu marido, é um homem de negócios. Ele viu o meu talento nas notificações judiciais, nas cartinhas pessoais que eu mandava para ele e decidiu negociar entre quatro paredes. E como negociamos... - Ela se abanou com um sorriso que deixaria qualquer homem confiante em seus talentos. - Nós tínhamos uma relação de amor e ódio muito intensa, não é, Chicletinho? - Ela piscou para mim, e eu contive a vontade de sorrir. Valentina se virou para Otto, o olhar castanho faiscando fúria. - Mas, embora nós sejamos loucos um pelo outro, nenhum de nós queria ceder sobre o negócio do prédio, então nós lutamos até o fim e depois que ele conseguiu derrubar o prédio, nós nos casamos. Está feito e assinado. Eu sou a Sra. Montenegro. E se você gastar mais um centavo da holding para fuçar a minha vida, eu te demito, quebro esse seu tablet na sua cara e compro um cachorro, só pra te colocar para dormir na casinha dele. Seu pai foi específico sobre o quarto que o encostado deveria ocupar, Chicletinho? - Ela se virou para mim.

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