"Valentina"
O Dante colocou uma música suave e eu fechei os olhos. Ele acendeu velas com aroma de jasmim e saiu do banheiro, me deixando aproveitar aquele momento. Podia parecer simples, mas havia algo muito especial no fato dele ter se preocupado em me preparar um banho e aquilo foi direto ao meu coração, como mais uma flecha acertada bem no alvo. No início da semana ele disse que queria me conquistar e ele era bom mesmo naquilo, sua atenção aos pequenos detalhes era o que mais me encantava e ele não deixava passar nada, como se eu já não estivesse suficientemente seduzida por ele.
Eu não sei quanto tempo eu fiquei naquela banheira pensando no Dante e em tudo o que ele se tornou na minha vida em um tempo curto. Mas eu sei que foi tempo suficiente para acalmar o meu coração acelerado, a minha mente cheia de medos e o meu corpo cheio de desejos. E quando eu terminei, eu não vesti uma das camisas dele, eu abri a gaveta e tirei de lá uma camisola de seda fina, uma peça tão delicada que parecia um carinho no corpo.
A camisola era longa, num tom de lilás delicado. E eu não vesti aquela camisola para seduzi-lo, eu vesti para me sentir melhor comigo mesma. Porque o toque frio do tecido na minha pele quente e a forma como ela abraçava as minhas curvas me lembrava que eu podia relaxar e me fazia me sentir mais do que uma menina tentando sobreviver, me fazia sentir que eu era uma mulher poderosa. Uma mulher que podia sonhar.
Eu voltei para o quarto, o Dante estava sentado na cama lendo algo no tablet. Ele levantou os olhos e sorriu. A forma como ele me olhou era carnal, mas ao mesmo tempo reverente. Eu sorri de volta, uma parte de mim estava bem satisfeita com o efeito que aquela camisola teve nele. Ele foi surpreendido e me olhou como se me visse de uma forma inteiramente nova, como se visse a mulher poderosa que eu mesma vi no espelho.
Eu me sentei na beirada da cama e comecei a espalhar o meu hidratante pelos braços. O Dante deixou o tablet de lado e se aproximou, tirando o pote de hidratante das minhas mãos. Ele se sentou atrás de mim, bezuntou as mãos e começou a deslizá-las pelo meu ombro, numa massagem relaxante, enquanto eu fechava os olhos e gemia de prazer. Depois de massagear os meus ombros ele passou o hidratante nas minhas costas, nos meus braços, nas minhas pernas. E enquanto ele passava o hidratante pelo meu corpo, massageando cada área com cuidado, eu estava chorando, sem nem perceber.
- O que foi, meu amor? - Ele perguntou e lá estava de novo aquela forma carinhosa e íntima que derrubava as minhas defesas.
Cada vez que ele me chamava de amor eu sentia como se o mundo parasse de girar e desejava que houvesse tempo para fazê-lo sentir exatamente aquilo por mim, amor. Cada vez que ele me chamava de amor eu desejava ser mais do que a última opção. Cada vez que ele me chamava de amor, eu queria que fosse por mim que ele estivesse do meu lado e não pela doença. Porque mesmo ele dizendo as coisas mais lindas, foi aquela doença que nos uniu e era ela que iria nos separar, de um jeito ou de outro, porque se o tratamento desse certo, e eu queria que desse, eu sabia que ele mudaria de opinião sobre mim... sobre nós. Eu sabia que ele veria outras possibilidades como se o mundo se descortinasse em sua frente.

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