"Valentina"
Se a ideia do Dante era irritar aqueles parentes insuportáveis e causar neles o maior desconforto possível, isso me dizia que eu deveria provocá-los sempre que tivesse uma chance. E irritá-los era tão fácil e completamente divertido, que eu não estava contendo os meus impulsos.
- Espera, Chicletinho. - Eu sussurrei, puxando-o para perto. - O seu motorista é de confiança?
- Totalmente! E ele odeia a Aurélia totalmente. - O Dante revelou e o motorista olhou pelo retrovisor, dando o primeiro sorriso que eu tinha visto.
- Bom, então vamos aprontar! - Eu decidi. - O Otto e a Aurélia devem estar na sala. O que você acha de darmos um show inesquecível para eles? Vamos descer desse carro como se tivéssemos acabado de dar um amasso selvagem aqui atrás.
O Dante arqueou uma sobrancelha, os olhos cinzentos faiscando de diversão e o motorista saiu do carro e ficou de pé por perto, nos dando privacidade.
- E como você sugere que a gente faça isso, Sra. Montenegro?
- Assim... - Eu sorri atrevida enquanto aplicava mais batom.
Me aproximei dele, agarrei o colarinho da camisa social e comecei a puxar o tecido com força, amarrotando a peça impecável e afrouxando a gravata. Passei minhas mãos pelos cabelos perfeitamente penteados dele, bagunçando os fios escuros sem nenhuma piedade. O Dante soltou uma risada curta, segurando a minha cintura com força e me puxando para o colo dele, entrando totalmente no jogo.
- Eu queria poder ver dentro da sua cabeça... de onde você tira essas ideias? - Ele estava rindo, enquanto enfiava os dedos no meu cabelo e puxava o meu rabo de cavalo.
- Eu sempre fui muito criativa. - Eu comentei e estalei um beijo no rosto dele
Eu avancei com o meu batom vermelho, me esfregando nele para misturar o meu perfume com o dele e carimbei um beijo estalado e úmido no canto da boca dele, desci pelo maxilar e deixei duas marcas nítidas e vermelhas de batom direto no colarinho branco da camisa dele.
Eu estava ofegante de verdade quando me afastei. O Dante estava com os olhos escuros, a respiração pesada, e o colarinho dele parecia uma cena de crime passional. Meu cabelo estava levemente desfeito e a minha camisa desalinhada.
- Perfeito! - Eu funguei.
- Ainda não. Seu batom ainda não está borrado o suficiente. - Ele mal acabou de falar e puxou a minha boca para a dele.
Ele me devorou! Parecia um esfomeado diante da refeição. Seu beijo era quente, úmido e me causava sensações inapropriadas. A língua dele buscava cada canto da minha boca e quando ele me soltou, nós dois estávamos arfantes. Nós nos encaramos por um longo minuto antes que alguém dissesse alguma coisa. Mesmo assim, quando ele falou, o meu cérebro ainda não tinha voltado a se conectar com a minha boca porque eu ainda estava pensando como eu ia ficar de pé se sentia que as minhas pernas estavam como gelatinas.
- Agora sim! - Ele sorriu vitorioso e abriu a porta do carro para que eu saísse do colo dele. Nós estávamos um desastre com sorrisos gigantescos nos rostos. - Vamos entrar na arena, esposinha. Faça o seu pior.
Nós caminhamos com toda a calma do mundo até a casa, o braço do Dante possessivamente na minha cintura, me colando ao seu corpo rígido. Empurramos as portas duplas do hall de entrada sem nenhuma delicadeza e ele sorriu.

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