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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 38

"Valentina"

O trajeto no banco de trás do sedã voltou a ser silencioso como nas primeiras vezes que sentamos juntos naquele carro, mas não era o silêncio desconfortável de antes. Havia uma intimidade nova se acomodando entre nós depois das horas que estávamos passando juntos. Olhei de soslaio para o Dante. Ele havia desabotoado o paletó, e estava recostado contra o couro preto do banco com uma expressão cansada, mas os olhos continuavam fixos na janela, acompanhando o movimento das ruas.

A tontura da manhã havia passado, mas a lembrança dele cambaleando na mesa de jantar ainda fazia o meu estômago dar voltas de pânico. Foi o pior sintoma que eu tinha presenciado até agora. Ele já tinha dito outras vezes que estava um pouco zonzo, mas não tinha precisado se sentar às pressas.

Eu olhei para o meu próprio reflexo no vidro escuro. Eu nem tinha trocado de roupa, só peguei a minha bolsa de oncinha que já estava arrumado e saí de casa com a minha calça legging preta justa, tênis, a blusa apertada realçando os meus seios e o Dante a tiracolo. Mas ali no banco de trás eu percebi o que eu era, eu era o oposto exato daquele magnata engravatado de um metro e noventa e cinco. Eu era a Sra. Montenegro que não se encaixava. E pela primeira vez eu me questionei se aquele homem olharia na minha direção se não estivesse a um passo da morte. Talvez não. Mas o pior de tudo era que eu estava começando a me acostumar com o peso daquela aliança de safira no meu dedo. E pior ainda, eu estava começando a me acostumar com o meu marido a tiracolo.

Quando o carro finalmente cruzou os portões de ferro do residencial, eu senti os meus ombros relaxarem. Fomos recebidos como se estivéssemos na nossa própria casa e eu não deixei de notar as enfermeiras suspirando pelo meu marido. Uma delas, com um sorriso muito simpático, nos acompanhou até o quarto da minha avó.

Ao empurrar a porta do quarto, o meu coração revirou de alegria. A Vó Isabel estava sentada em sua poltrona confortável perto da janela, com um xale quentinho cobrindo os ombros e as bochechas coradas, rindo de qualquer coisa que a enfermeira havia contado a ela. Mas no segundo em que ela nos viu na porta, o rosto dela se iluminou ainda mais.

- Olha só se não é o meu neto lindo! - A minha avó exclamou, estendendo as mãos pequenas e trêmulas na direção do Dante.

Eu me preparei para dar o passo à frente e manter as coisas formais como o Dante gostava, mas ele me surpreendeu. Ele se moveu com uma suavidade e uma graça que me deixaram completamente estática. Aquele homem que comandava um império caminhou até uma idosa que ele só viu uma vez na vida com passos lentos, um sorriso no rosto e se ajoelhou com total naturalidade no carpete, bem na frente da poltrona dela e segurou suas mãos com uma delicadeza extrema.

- Boa tarde, Vó Isabel. - O Dante pronunciou, a voz caindo para um tom tão doce, calmo e genuinamente afetuoso que mal parecia o homem arrogante que eu vi pela primeira vez. Ele inclinou a cabeça e depositou um beijo suave no dorso da mão dela, como um perfeito cavalheiro. - Peço desculpas pela minha ausência ontem, mas eu fiquei preso no trabalho. Como a senhora está se sentindo hoje? O Residencial está cuidando bem do nosso maior patrimônio?

Minha avó soltou uma risada faceira, levando a mão ao rosto como uma menina tímida, o sorriso demonstrando uma alegria que me emocionou.

- Ah, meu filho, eu estou no paraíso! Essas meninas me mimam o dia inteiro, e você também! Veja só aquele armário... - Ela apontou para as portas de madeira do closet que eu já havia inspecionado no dia anterior, cheio de roupas caras e sapatos macios que ele mandou entregar. - Eu nunca tive tantas coisas bonitas na vida. Olha o primor do bordado nesse xale! A minha Tininha escolheu o melhor homem do mundo para enfrentar a vida. E eu não falo pelo conforto que você está me dando, viu! Eu falo por você já ter tornado a minha neta a sua esposa e cuidar das preocupações dela, porque eu sei que ela se preocupa comigo.

- Vocês duas não terão mais com o que se preocupar, Vó Isabel. Eu vou cuidar de vocês sempre! - O Dante prometeu e puxou outra poltrona para se sentar ao lado da minha avó, segurando a mão dela.

Capítulo 38: O príncipe e a plebeia 1

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