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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 37

"Valentina"

Depois do café, o Murilo, o Dante e eu nos trancamos no escritório dos fundos da mansão Montenegro. O lugar parecia um santuário de madeira escura e couros caros, isolado de todo o veneno que o Otto e a Aurélia destilavam na ala principal da casa. O Dante sentou numa poltrona executiva do outro lado da mesa, com a gravata desfeita e os primeiros botões da camisa social abertos, o semblante ainda ligeiramente pálido. O Murilo Dornelles, sentado em frente a ele abria arquivos digitais em um notebook, com os olhos atentos.

Eu me acomodei no sofá de couro Chesterfield bem em frente à mesa principal, cruzando as minhas pernas de modo que eu podia observá-lo. Eu tinha uma missão: vigiar o homem moribundo para garantir que ele não se estressasse, mas o Dante Montenegro não sabia ser um paciente comportado.

- A reestruturação societária das ações preferenciais exige um parecer jurídico imaculado, Murilo. - O Dante começou, ditando as cláusulas com aquela sua voz fria, pausada e absurdamente rebuscada. Ele ergueu os olhos devagar para mim e um sorriso lento e arrogante surgiu em seus lábios. - Especialmente agora que a holding conta com uma guardiã patrimonial tão... exuberante, curvilínea e dotada de uma flexibilidade inestimável. Nós precisamos garantir que o cofre esteja perfeitamente alinhado com o perfil arrojado da minha esposa.

O Murilo soltou uma risada abafada por trás da tela, tossindo para disfarçar o divertimento, enquanto minhas bochechas queimavam de vergonha. Eu sabia o que tinha por trás das palavras rebuscadas. O mauricinho estava usando o seu vocabulário mais culto e refinado para flertar comigo de forma safada bem na frente do advogado.

- Você fala bonito para um homem que acabou de ter um teto preto sala de jantar, Montenegro. - Eu rebati, sustentando o olhar dele e soltando o meu cabelo do coque. - Foca nos seus relatórios e deixa a exuberância para o final do dia... na hora do seu tratamento VIP que te deixa assim, ó... todo tonto.

O Dante deu uma risada deliciosa e rouca que enviou uma descarga elétrica direto para o meu baixo ventre, e voltou a analisar os papéis.

Aproveitando que eles entraram em uma discussão técnica sobre fundos imobiliários, peguei o meu celular e abri o aplicativo de mensagens. Mandei um aviso rápido para a Tati: "O cano já está brilhando no meio do mármore do hall, amiga. A perua quase teve um AVC vendo o poste".

Assim que enviei, mudei de aba e abri o navegador. O meu coração apertou de verdade ao lembrar da tontura que o Dante sofreu na mesa. Não era a primeira vez que ele queixava de um mal-estar. E eu ainda estava inconformada com a passividade dele aceitando aquele diagnóstico. Eu pesquisei na internet por glioma inoperável, sintomas e evolução, pesquisei por tratamentos experimentais no mundo e até clínicas de neurologia avançada".

Comecei a rolar as telas freneticamente, devorando artigos médicos em busca de uma brecha, de uma maldita salvação para aquele homem de um metro e noventa e cinco que estava se extinguindo na minha frente. Para mim, ainda era um pecado um homem lindo e gostoso daquele morrer.

Eu senti o silêncio se instalar na sala e ergui os olhos. O Dante havia parado de ditar. Ele estava me encarando com as sobrancelhas arqueadas, apoiando o queixo nos dedos longos, profundamente curioso com o modo como eu digitava e esfregava a testa com ansiedade.

- O que tanto desperta a sua atenção nesse aparelho eletrônico, Sra. Montenegro? - Ele perguntou, o tom rebuscado carregado de uma suspeita. - Algum homem melhor que Dante Montenegro querendo investir na minha esposa?

- Ha-ha-ha! Engraçadinho! Fique tranquilo, sua esposa assinou uma cláusula de fidelidade. Eu estou apenas fazendo pesquisa, Montenegro. - Eu respondi, bloqueando a tela e jogando o celular ao meu lado no sofá. - Estou apenas tentando entender o tamanho e a gravidade do problema que nós temos em mãos.

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