Entrar Via

Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 40

"Valentina"

Exatamente um mês havia se passado desde o dia em que encarei pela última o rosto cínico do meu Tio Aroldo na casa onde eu cresci e vendi a minha alma para aquele diabo lindo, sedutor e engravatado em troca da salvação da minha avó. Trinta dias. Tempo suficiente para o Murilo estar adiantado com a transição da holding e começar os medicamentos da fertilização.

Também foi tempo suficiente para eu me acostumar com o peso das alianças na mão, com a rotina de fingir um casamento insaciável diante das hienas da mansão e com o Dante simplesmente largando tudo três vezes por semana para ir comigo visitar a vovó.

Mas esta noite as coisas ficariam muito mais sérias, porque os preparativos para o herdeiro ficaram muito mais palpáveis quando o Murilo entregou a maleta térmica para o Dante no escritório poucas horas antes, e ali, em cima da cama que dividíamos sem deixar muito espaço entre nós, o início real do processo biológico nos encarava.

Eu estava sentada na beira do colchão, encarando a seringa e a ampola de hormônios para a estimulação ovariana com os olhos esbugalhados. Toda a pose de destemida sumiu. Minhas mãos estavam geladas, um suor frio escorria pela minha nuca e o meu corpo inteiro tremia de uma fobia legítima. Eu tinha pavor de agulhas. Pânico total. E já estava imaginando o pior cenário: um desmaio depois de um grito de horror.

- Não seja tola, Encrenca. Olhe para mim. - A voz rouca e imponente do Dante ecoou no quarto silencioso.

Ele caminhou até a cama usando apenas aquela maldita calça de moletom cinza, que não deixava espaço para a imaginação, e com o peitoral esculpido à mostra. O Dante sentou-se bem na minha frente, cruzando as pernas, e afastou a seringa de mim, segurando as minhas mãos trêmulas com uma delicadeza extrema. Antes que eu pudesse protestar ou soltar um palavrão de defesa, ele me puxou pela cintura, me acomodando de lado no colo dele.

- Esconda o rosto no meu pescoço, Valentina. E não se mova. - Ele ordenou, a voz caindo para aquele tom protetor que fazia o meu coração errar as batidas.

Prendi os meus dedos nos ombros largos dele, afundando o meu rosto na curva do seu pescoço, inspirando o perfume amadeirado que já estava se tornando o meu refúgio. Senti os dedos longos e quentes dele erguerem a barra da minha camiseta, tocando a pele do meu abdômen com um cuidado milimétrico. Eu cravei as unhas nos ombros dele sem perceber.

- Que selvagem, Encrenca! Gostei. - Ele brincou e eu dei um tapinha no seu ombro aliviando a pressão. - Pode me morder se quiser. - Ele sussurrou no meu ouvido e eu remexi no colo dele. - Quietinha, Encrenca, ou quem vai passar mal serei eu. Agora, respire comigo. Puxe o ar devagar. - Ele continuava sussurrando perto do meu ouvido.

Eu fiz o que ele pediu, puxando o ar no mesmo ritmo em que o peito dele subia e descia contra o meu. Senti uma picada rápida, uma fisgada incômoda na barriga, mas antes que o pânico pudesse me dominar, o Dante deu um beijo suave no meu ombro e já estava pressionando um algodão suave no local da injeção, desenhando círculos lentos nas minhas costas para me acalmar. O ritual da primeira injeção havia terminado. Ergui os olhos marejados e o encarei. Ele já havia escondido a seringa e me olhava com uma intensidade tão profunda e repleta de afeto real que todo o cuidado que eu estava tendo para manter alguma distância se despedaçou nas quatro paredes do quarto. O meu mauricinho estava cumprindo a promessa de ser a minha fortaleza.

- Viu?! Nós vamos fazer isso juntos. - Ele sussurrou. - Obrigado por fazer isso comigo, Encrenca. Por aceitar ser a mãe do meu filho e passar por toda essa loucura.

- Dante, não me agradece. Você é um dos meus agora e você sabe que eu defendo os meus. - Eu passei a mão pelo rosto dele e ele fechou os olhos quando eu lhe dei um beijo na testa.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal