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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 42

"Valentina"

Eu senti um pressentimento ruim, mesmo assim eu deslizei o dedo pela tela e atendi a ligação, levando o aparelho ao ouvido. E eu estava certa, minha paz foi perturbada por gritos histéricos.

- Alô?

- VALENTINA! SUA VADIA! - Os gritos ensurdecedores e furiosos do meu Tio Aroldo ecoaram pelo alto-falante, me fazendo afastar o telefone. Ele estava descontrolado e todos os olhos já estavam sobre mim.

- Bom dia pra você também. - Eu respondi sentindo os olhos começarem a queimar. O Dante tirou o aparelho das minhas mãos e colocou sobre a mesa no viva-voz.

- Que bom dia que nada! Hoje eu fui até o banco receber a aposentadoria da sua avó e o cartão estava bloqueado! Eu falei com o gerente que me informou que o seu advogado foi até lá e apresentou todos os documentos e bloqueou o meu acesso à conta. Eu até ri, achei que era um golpe desses que aposentados sofrem, porque de onde você tiraria um advogado, não é?! Mas aí eu fui até aquele asilo para levar a minha mãe ao banco para sacar o dinheiro da aposentadoria e resolver a situação, mas a velha não está lá! E de acordo com a diretora a velha sumiu do registro, porque você roubou a curatela dela pelas minhas costas e a tirou de lá sem dizer para onde a levaria! Onde está a minha mãe, sua maldita problemática?

A sala de jantar congelou no mesmo segundo. Eu cobri os olhos com a mão, sentindo todo o meu corpo congelar. O Murilo, que entrava na sala, parou na porta com um sorrisinho de canto, assistindo ao show. E o Otto e a Aurélia esticaram os pescoços, farejando a podridão.

Eu olhei para a aliança de safira reluzindo no meu dedo e me lembrei das condições em que encontrei a minha avó um mês atrás. O meu sangue ferveu com a mesma rapidez com que congelou e eu mal conseguia conter a minha fúria. Eu ergui o queixo, encarando a mesa de cobras, e respondi com a voz mais fria e perigosa da minha vida:

- Escuta aqui, seu canalha negligente, sabe o que eu fiz, eu tirei a minha avó daquele lugar saturado e sem condições nenhuma de receber mais um idoso. Um lugar deprimente, seu merda! Sim ela é sua mãe, a mulher graças à qual você respira, e você não tem o mínimo de gratidão ou afeto por ela. Sabe quanto tempo ela ficou naquele lugar? Menos de um dia, porque eu a tirei de lá. Isso foi há trinta dias, seu monte de estrume! E você só ficou sabendo hoje porque foi ao banco receber o dinheirinho dela?! Que porra de barrigada perdida você é?

- VALENTINA, FALA DIREITO COMIGO! EU SOU SEU TIO! EU TE CRIEI E EU AINDA POSSO TE DAR UMA SUR'RA. OU VOCÊ SE ESQUECEU DE QUEM EU SOU, VADIAZINHA?!

- Não ouse tocar na minha esposa ou eu vou mover céus e terras para trancá-lo numa cela mais imunda e mais deprimente do que aquele lugar onde o senhor jogou a sua mãe! - O Dante rosnou.

- Ah, mas é claro que a vagabunda arrumou um macho!

- Cuidado com o que diz. O senhor não tem ideia de com quem está falando. Quer saber onde está a sua mãe? Pergunte ao juiz! E não volte a perturbar a minha esposa! - O Dante avisou e encerrou a chamada.

- Quem diria, Dante… que você renegaria a família por causa de uma mulher cuja parentela é claramente uma vergonha pública que gosta de escândalos. O seu pai detestaria essa baixaria sob o teto dele. - O Otto disparou com o seu tom de voz mais cínico e dissimulado.

O Dante tencionou o maxilar. Ele ia se levantar com o seu refinamento habitual para impor respeito, mas antes que pudesse dar o primeiro passo, ele cambaleou visivelmente e precisou apoiar as duas mãos com força na mesa para não cair. Eu me levantei em um pulo, o pânico congelando o meu estômago, e segurei firme o braço dele. Naquele momento eu não estava nem um pouco preocupada com o Otto e as provocações dele.

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