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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 57

"Valentina"

No meio da tarde, aproveitando que o Dante e o Murilo entraram em uma discussão técnica sobre a auditoria surpresa e não estavam nem se lembrando de mim, eu peguei o meu celular e enviei uma mensagem para a Tati. Eu era movida por uma necessidade básica de qualquer ser humano: a curiosidade!

"Como estão as coisas aí embaixo na recepção, Tati? Os engravatados já se acostumaram com a sua fineza?", eu perguntei.

A resposta da Tati veio segundos depois, com o seu deboche de sempre:

"Tina, o clima neste prédio de rico está mais tenso que corda de bloco de carnaval! O Otto passou por aqui bufando e quase engoliu o crachá de tanta raiva! Ouvi umas coisas, vem aqui."

Sorri de lado, o nosso contra-ataque estava funcionando e alertar a Tati para ficar de olho em tudo foi a melhor ideia que eu tive. Eu precisava mesmo de um respiro, mas principalmente, eu precisava ouvir o relatório da minha espiã oficial. Então eu enviei mais uma mensagem para a Tati:

"Te encontro no banheiro aí embaixo em cinco minutos."

Dei um sinal discreto para o Elo Perdido Um, avisando que ia apenas até o banheiro, mas ele deu um sorrisinho que dispensava dizer "vou com você". Entrei no elevador com aqueles dois homens gigantes e eu me senti o próprio "Guliver".

- Desculpe, senhora, mas pensei que destino seria o banheiro. - O Elo Perdido Um falou.

- É o banheiro! Mas o banheiro lá do saguão. - Eu respondi e ele estreitou os olhos para mim. - Olha só, eu preciso me movimentar, eu não gosto de passar o dia sentada atrás de uma mesa, então se eu quiser ir andando até o caralho do banheiro do meu quarto na mansão eu vou.

- Com esses saltos não seria uma boa ideia, senhora? - segundo homem falou.

- Sei. E você é o que, a teoria de tudo? - Eu bufei. - Olha só gente, eu tô de péssimo humor hoje, não tô acostumada a ter quatro criaturas míticas andando atrás de mim e o meu marido maravilhoso não me informou que vocês seriam tão... ostensivos!

- Senhora, me permita lhe dar uma outra visão sobre a situação. - O Elo Perdido Um falou, cheio de floreios como o Dante. - Nós estamos aqui para mantê-la segura e para facilitar a sua vida. O seu marido está preocupado e ele nos escolheu assim... ostensivos, justamente para soar como aviso e afastar pessoas mal intencionadas.

- Você disse facilitar a minha vida? - Eu perguntei olhando a situação por outro ângulo.

- Exatamente! - Ele confirmou. - Podemos ser mais úteis do que ficar parados como estátuas, isso é chato, embora estar alertas é uma obrigação. A senhora pode nos pedir o que for, mas sempre um de nós estará parado de olho em tudo.

- Entendi. Acho que nós vamos começar a nos entender. - As portas do elevador se abriram no terreo. - Fiquem de pé na porta e não deixem ninguém entrar. Só a Tati.

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