"Valentina"
Acordei na manhã seguinte com o som suave do Dante se movendo pelo quarto. Essa noite ele tinha dormido tranquilamente por toda a noite, mas a exaustão de todos os dias tensos e das noites em que ele passou mal pesava nos meus ombros. Eu demorei alguns minutos para me levantar para o meu ritual matinal e quando eu saí do closet o Dante já estava no banho.
Eu ia descer para preparar o café da manhã do Dante. Eu estava me sentindo estranhamente irritadiça, mais mal humorada que o normal, e talvez fosse pelas noites mal dormidas e o estresse de tudo o que estava acontecendo, mas a verdade é que eu queria simplesmente não ter que lidar com outro ser humano esta manhã, especialmente com os agregados. Porém, embora eu não estivesse com a menor paciência para os agregados, encará-los seria inevitável. E eu estava tentando me preparar psicologicamente para mais um café da manhã das bruxas quando, no milésimo de segundo em que empurrei as portas duplas da suíte, o meu queixo caiu com a mais pura perplexidade.
Parados em fila indiana no meio do corredor, estavam quatro homens monumentais, muito maiores que o Dante. Quatro verdadeiros armários humanos, vestindo ternos pretos impecáveis, postura de estátua militar, óculos escuros e aquele clássico fone de ouvido em espiral preso na orelha. Assim que os meus saltos estalaram no piso, os quatro giraram a cabeça sincronizados e as curvaram ligeiramente para mim.
- Bom dia, Senhora Montenegro. - O primeiro da fila deu um passo a frente, a voz grave e profissional ecoando pelo teto alto. - Eu sou o chefe da sua equipe de segurança privada. A partir de hoje, nós seremos a sua escolta particular exclusiva vinte e quatro horas por dia. Vamos nos revezar em duplas, mas sempre haverá dois de nós com a senhora.
Eu travei no portal, piscando os olhos e sentindo a minha bolsa preta de uma grife caríssima escorregar no ombro.
- Puta que pariu! - Eu grunhi baixinho. - O Dante não falou que ia colocar quatro exemplares do "elo perdido" atrás de mim.
- Perdão, senhora? - O homem me encarou sem entender. Ele tinha facilmente mais de dois metros de altura.
- Esquece! - Eu bufei.
Mas antes que eu pudesse dar mais um passo, o Dante surgiu logo atrás de mim, vestindo apenas uma calça social e a camisa aberta, com o peitoral esculpido totalmente à mostra, exalando o seu perfume amadeirado. Um sorriso arrogante surgiu de canto nos seus lábios.
- O que foi, Encrenca? - Ele provocou perto do meu ouvido, o hálito quente dele fazendo o meu baixo ventre queimar no mesmo segundo. Merda, agora além de mal humorada eu estava com tesão! - Já conheceu o seu pequeno exército particular?
Eu me virei lentamente. Foi um erro. O Dante estava descalço, com os cabelos ainda úmidos do banho e completamente bagunçados. Eu olhei para aquele monumento que chamava de marido e tive vontade de chorar, porque um homem daquele casa comigo e eu nem poderia tirar uma casquinha.

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