"Valentina"
Eu me virei para o portão dos fundos, onde o chefe da escolta armada vigiava a entrada.
- Fausto! - Eu gritei pelo nome dele.
O guarda-costas monumental de dois metros de altura piscou os olhos, paralisado como uma estátua, demorando alguns segundos para compreender que eu estava falando com ele.
- Fausto? - Eu repeti irritada.
- Ah… sim, Sra. Montenegro? - Ele respondeu formal. - Desculpe, eu já me habituei ao apelido. - Eu teria rido do Elo Perdido Um, se não estivesse tão irritada.
- Fausto, pegue essa piranha dissimulada e a jogue no meio da rua pela porta dos fundos agora mesmo! - Eu falei com toda a imposição de dona da casa, apontando o dedo para a saída.
O segurança se aproximou com passos militares. A Agatha arregalou os olhos em pânico real, engolindo em seco e olhou para o Otto pedindo socorro.
- Você não pode fazer isso, Valentina, ela é minha convidada! - O Otto veio para cima de mim.
Eu me virei imediatamente para o Otto, o rosto dele estava tão vermelho como se estivesse em chamas, queimando de puro ódio.
- Sua convidada, encostado? - Eu dei um riso cínico. - Eu fui clara com vocês. A casa é minha! Convidados precisam ser autorizados por mim. E essa piranha metida a patricinha não coloca os pés na minha casa, não coloca os pés na empresa do meu marido, e por mim nem respiraria, mas isso é outro problema. Então, Otto, eu vou te lembrar, descumpra as minhas regras e eu vou construir no quintal a porra da casinha de um pinscher e te obrigar a morar nela junto com um dogue alemão! Entendeu? - Eu gritei na cara dele. - Pode levar, Fausto. Ela está invadindo a minha casa sem ser convidada. - Eu falei e o Fausto, vendo que ela não ia, a pegou pelo braço e a arrastou pelo jardim.
Eu assisti maravilhada ao Fausto arrastando a Agatha para fora. Eu tinha que admitir, ter seguranças tinha suas vantagens.
- Dante, isso é um absurdo! Eu não vou tolerar isso! Ou você coloca a sua cadela na coleira ou eu vou questionar o testamento do meu tio na justiça e...
- E o que, Otto? Me conta, eu fiquei curioso. O que você vai pedir na justiça? - O Dante encarou o Otto, com uma frieza que teria congelado o Deserto do Saara. - Deixa eu te lembrar, eu sou o filho, o legítimo e único herdeiro universal. Você é sobrinho do meu pai e ele foi um tio exemplar com você durante toda a vida. Mas você não se contentou com o que ele te deu, não é mesmo?! Você não queria o carinho e o respeito do meu pai. Você queria o dinheiro dele. Então, Otto, vai lá, contesta o testamento que unicamente diz que você pode morar nesta casa até se casar. Contesta para ver o que acontece!
- Dante, olha para o que essa mulher está fazendo. Eu preciso de permissão para trazer um convidado na minha própria casa. - O Otto mudou o tom diante da ameaça do Dante.
- Ela é a minha esposa, Otto, a Sra. Montenegro, a dona da casa. - O Dante sibilou.
- Entendeu, Otto? Ou quer que desenhe? - Eu encarei o Otto de braços cruzados. - Eu vou te dar um aviso, Otto… se você insistir em se misturar com porcos, faça isso bem longe desta casa e da holding! Não traga cobras para o meu quintal! E da próxima vez, não se esqueça de um detalhe: antes de convidar qualquer alma para pisar neste chão, você precisa da aprovação e da permissão da dona desta casa. E a dona sou eu! Agora, se não quiser se mudar para a casinha do pinscher ainda hoje, some da minha frente!

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