"Dante"
A mão da Valentina na minha estava gelada enquanto voltávamos para a presidência. Ela estava nervosa. Aquela família não ia parar de perturbá-la até conseguir dinheiro e depois perturbariam de novo por mais dinheiro e isso não teria fim. Eu precisava dar um basta neles, eu só não sabia como fazer isso ainda.
Assim que entramos na sala da presidência eu puxei a Valentina para se sentar perto de mim, nós tínhamos coisas importantes para resolver.
- Você está bem, Encrenca? - Eu perguntei baixinho.
- Eu estou com raiva, Dante, porque aqueles três, desde que os meus pais morreram, só infernizam a minha vida, e eu estou começando a pensar que eu vou ter que aguentar esse carma até o fim dos meus dias. - Ela descarregou e respirou fundo.
- Não se preocupa. Eu vou dar um jeito nisso. - Eu apertei de leve a mão dela.
- Eu entendo que você esteja chateada, Tininha, e eu lamento, mas eu vou te aborrecer um pouco mais. Nós temos várias questões importantes essa semana, o tempo correndo contra nós. - O Murilo alertou com a voz formal.
- Ah, nem, Dornelles! - A Valentina choramingou. - Eu quero ir pra casa, ligar o ar condicionado, me enfiar debaixo das cobertas e dormir.
- Isso não vai ser possível, Sra. Montenegro. Pelo menos não agora. - O Murilo respondeu com um meio sorriso.
- Então serve um chocolate. - Ela ronronou.
- Isso eu posso resolver. - O Murilo sorriu e três minutos depois o assistente dele entrou na sala e entregou cinco barras variadas de chocolates, fazendo os olhos da Valentina brilharem.
- Você é um "Oompa Loompa"? - Ela brincou abrindo uma barra de chocolate e fazendo o Murilo dar uma risada alta.
- Eu acho que eu sou o gênio da lâmpada que realiza desejos. - O Murilo respondeu.
- O gênio você não é, não realizou o meu desejo de ir pra casa. - Ela debochou dele e mordeu o chocolate, fechando os olhos e soltando um pequeno gemido de prazer que me lembrou a noite de sábado.
Eu fiquei preso nos lábios dela enquanto ela mastigava aquele chocolate como se estivesse prestes a ter um orgasmo. Ela era naturalmente sexy para o meu desespero. O Murilo pigarreou para chamar a nossa atenção.
- Podemos começar? - O Murilo me encarava com um sorriso idiota.
- Vai, Dornelles, fala, Dornelles! - A Valentina riu dele.


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