"Valentina"
Sair dos domínios da Torre Montenegro no início da tarde trouxe o respiro que eu precisava depois daquela manhã agitada. Escoltada pelo Fausto e com a Tati de braços dados comigo, eu cruzei o portão de ferro do meu novo estúdio. Olhar para o letreiro com o meu nome e ver o piso reluzir sob os grandes espelhos me fez dar pulinhos de empolgação.
- Tinaaa! O mauricinho não brinca em serviço quando decide mimar a patroa! - A Tati sussurrou, de boca aberta olhando as barras de pole dance de aço polido no centro do salão.
- Tati, vamos nos exercitar um pouco? - Eu sugeri e ela me olhou estreitando os olhos.
- Tem roupa aí? - Ela perguntou. - Tem uma loja de roupas esportivas aqui em frente, a gente pode comprar alguma coisa. Vamos, vai ser divertido.
Ela concordou e nós saímos correndo do galpão e atravessamos a rua. Compramos dois conjuntos de short e top esportivos. O meu era roxo e o da Tati verde limão. E quando voltamos para o galpão eu tive uma ideia. Sob as luzes de neon, a fumaça que uma máquina podia emitir no estúdio e com o celular posicionado numa cadeira para gravar, sob a batida sexy de "Earned It" de The Weeknd, a Tati e eu executamos uma das nossas coreografias mais sensuais no pole.
- E agora? - Ela perguntou e eu sorri como se fosse óbvio. Antes que ela pudesse repensar eu mandei o vídeo do meu celular para o Dante e do celular dela para o Dornelles. E quando ela reagiu era tarde demais. - Não! Sua louca! O que ele vai pensar?
- Que você é uma gostosa! - Eu respondi. - Qual é, Tati? O cara ficou babando quando te viu na barra lá da mansão. Faz a alegria desse coitado que vive no limite do estresse com o Dante.
- Tina, nós apenas ficamos amigos. - Ela me respondeu categoricamente.
- Ótimo! Amigos mandam mensagens e vídeos. Vai, nós precisamos de um público, essa coreografia ficou incrível. - Eu insisti.
- Tá bom, mas se ele falar qualquer coisa, eu vou dizer que você enviou sem a minha permissão. - Ela avisou.
Passamos horas ali, sentadas no chão de madeira, fazendo planos e dividindo os chocolates que o Murilo Dornelles havia me dado. Nós tínhamos uma lista com os primeiros nomes para os professores de pole dance e a equipe de apoio. Eu estava decidida: aquele estúdio era o meu templo. Eu queria gente da minha confiança, pessoas que entendessem o propósito da dança para todos os corpos.
E com todo aquele espaço e os fundos que o Dante generosamente me proporcionou eu queria incluir novas modalidades que contribuissem para o aprendizado do poledance, então a Tati e eu concordamos em abrir turmas de chair dance, ou dança na cadeira, flexibilidade e alongamento, floorwork, que focava em transições, giros e ondulações no chão, danças urbanas como twerk e jazz funk e tecido acrobático.
- Vai ser um sucesso, Tina! Todo mundo vai querer fazer todas as aulas. - A Tati declarou com um grande sorriso.

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