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Um Filho Para O CEO — Encontrando uma família romance Capítulo 4

Helena narrando…

O corredor parecia não acabar nunca. Minhas pernas bambas quase não obedeciam, e o som dos meus sapatos baratos contra o piso de mármore ecoava mais alto do que deveria. Parecia que cada passo era uma denúncia, um alarme soando: olha a incompetente passando.

O cheiro do café ainda impregnava no meu nariz, misturado com o perfume caro dele. A imagem não saía da minha cabeça: a mancha no terno impecável, os olhos dele em cima de mim como lâminas afiadas. Frio, calculado, como se estivesse decidido se valia a pena me destruir ali mesmo, no meio do corredor.

Eu me apoiei na parede por um instante, respirando fundo. Não podia chorar. Não ali. Não naquele andar onde até as paredes parecem te julgar. Limpei o rosto com as costas da mão e continuei, segurando o pano sujo que ainda estava comigo. Quase ri de nervoso. Eu, com aquele trapo ridículo na mão, tentando parecer invisível depois de ter derrubado café em cima do homem mais temido da empresa.

O nome dele todo mundo sabe. Lorenzo Vasconcellos. O lobo vestido de CEO. O tipo de homem que não precisa levantar a voz pra destruir a vida de alguém — basta olhar. E ele olhou pra mim. Um olhar que me atravessou inteira. Eu senti.

Quando finalmente cheguei no banheiro de serviço, lavei as mãos e joguei água no rosto. Me encarei no espelho, vendo o coque desmanchado, a pele pálida, os olhos arregalados demais.

— Parabéns, Helena… — murmurei pra mim mesma. — Primeiro mês e você já arruma um motivo pra ser demitida.

Mas não dava. Não dava pra ser demitida. Eu não podia.

A imagem da minha mãe veio na hora. Ela, na cama, pálida, respirando fundo, com a tosse insistente que não a deixava em paz. Cada comprimido era um pedaço do meu salário. Cada consulta médica, um pedaço maior ainda. Se eu perdesse esse emprego, a gente perdia tudo.

Segurei firme na pia, respirei fundo outra vez e ajeitei o uniforme. Não tinha escolha: tinha que continuar. Tinha que varrer, limpar, passar pano como se nada tivesse acontecido. Como se eu não tivesse tropeçado no destino e esbarrado direto no homem que mais devia ser evitado.

O resto do dia foi um borrão. Mãos mecânicas esfregando, olhos desviando sempre que alguém passava. Alguns funcionários cochichavam quando eu aparecia. Eu sentia. Talvez fosse paranoia, mas parecia que todo mundo já sabia do café.

E o pior, ele sabe meu nome, se for rancoroso, não vai esquecer tão fácil.

E isso, de algum jeito, era pior do que se tivesse mandado me demitir na hora. Porque agora ele sabia quem eu era.

[...]

O relógio bateu seis da tarde e finalmente consegui sair. No ponto de ônibus, o corpo inteiro pesava. Eu queria desaparecer dentro do casaco surrado, fugir dos olhares e dos pensamentos. O ônibus veio cheio, como sempre. Gente cansada, gente que parecia carregar o mundo nas costas, igual eu.

Capítulo 4 - Medo de ser demitida 1

Capítulo 4 - Medo de ser demitida 2

Capítulo 4 - Medo de ser demitida 3

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