RODRIGO NARRANDO:
Eu estava pronto para acabar com tudo. A adrenalina percorria meu corpo enquanto encarava Renan, o idiota que ousou entrar na minha casa com aquela prepotência nojenta, achando que estava no controle. O cheiro de suor e raiva preenchia o ar do toalete, e minha mão firme segurava o cano da arma apontado para o queixo dele. Eu só precisava de um movimento, um puxão no gatilho, e esse assunto estaria encerrado.
— Você quer me machucar, Rodrigo? — Renan perguntou com uma falsa confiança, com os lábios curvados em um sorriso cínico. — Vai em frente. Mas saiba que, se eu morrer, toda essa merda vai explodir, e você vai acabar sozinho, sem família. E Duda? Ah, Duda vai te odiar para sempre.
A menção da minha irmã fez meu sangue ferver. Duda. Ele ousava colocar o nome dela na boca suja. Eu ri, mas foi um riso amargo, quase engasgado.
— Você acha que conhece a minha irmã, seu bastardo? — rosnei, cada palavra cuspida como veneno. — Acha que só porque está comendo ela, você é importante? Quando a Duda descobrir que você mentiu até o nome, você já era. Caras como você, ela já teve vários. Eu só não te matei ainda porque sei que eu e a Micaela erramos com você. Mas você vai lidar comigo. E se afastar da minha irmã, seu desgraçado.
Renan riu, e aquele som me fez querer apertar o gatilho ali mesmo.
— Você tocou no que era meu, Rodrigo. Nada melhor do que eu revidar, não acha? — Ele provocou, com sua voz pingando sarcasmo.
Minha paciência já estava no limite. Eu pressionei o cano da arma no queixo dele com mais força, sentindo o calor da fúria subir pelas minhas veias.
— Está cavando a sua própria cova, Renan. Resolva seus problemas comigo, e deixe a minha irmã em paz, ou você é um homem morto. — Minhas palavras eram mais do que uma ameaça, eram uma sentença.
Ninguém tocava na minha família e saía impune.
— Você já matou a minha dignidade, Rodrigo. Você e aquela vaca conseguiram me destruir, mas me responde uma coisa... cadê ela? Não vai me dizer que Micaela se tornou sua amante e você agora está com aquela novinha? — Renan sorriu, um sorriso sujo, provocador.
Eu segurei meu impulso de estourar os miolos dele ali mesmo.
— Eu e Micaela terminamos. Mas ela está grávida. — Minhas palavras eram frias e controladas, mesmo que cada parte de mim estivesse em ebulição. — Então deixa ela em paz. Já queimou os vinhedos dela, agora resolve seus problemas comigo, desgraçado. Seja homem e revida em quem te feriu, não em pessoas inocentes. Você não precisa morrer por ser imbecil.
A expressão de Renan mudou por um segundo, mas o sorriso voltou ainda mais sombrio.
— A vadia está grávida? Aquela puta nunca me deu um filho... E vocês terminaram... — Ele riu, um riso seco. — Pelo menos agora ela vai sentir o que eu sofri. Você se cansou rápido, hein? Seu interesse era só porque ela já tinha marido, não era? Você tem fetiche em pegar a mulher dos outros?
Eu senti meus músculos ficarem tensos. Segurei firme a arma, olhando nos olhos dele.
— Guarde suas piadas para você. Vou te dar duas opções: você vai sair daqui agora, vai dizer que não está se sentindo bem, e vai embora. Ou você vai morrer essa noite, Renan. Eu não vou deixar você chegar perto da minha família de novo. Então, qual vai ser?
Eu puxei o gatilho levemente, só o suficiente para ele entender o quão sério eu estava. Renan bufou, com a raiva finalmente mostrando seu rosto.
— Você e aquela vadia me traíram, e ainda quer me matar, bastardo? — Ele gritou, com os olhos cheios de ódio.
Eu o empurrei com mais força contra a parede.
— O que você quer, caralho? Um pedido de desculpas? Quer dinheiro? — A irritação estava me corroendo por dentro, mas eu não ia perder o controle.
— Um pedido de desculpas teria sido um bom começo — Renan disse entre dentes. — Por ter ferrado minha vida, acabado com meu casamento e fodido a minha mulher...
Eu o encarei, com meus olhos fixos nos dele.
— Desculpa, tá legal? Eu não queria ferrar seu casamento, mas aconteceu. Quer resolver na mão comigo? A gente marca hora e lugar. Mas você nunca mais vai chegar perto da minha irmã, da minha família ou da minha casa. Eu não costumo repetir. Ficou claro?
Empurrei o cano da arma contra ele de novo, deixando claro que não havia espaço para negociação.
— Claro, bastardo... Eu vou embora. Mas não pense que acabou aqui, Rodrigo. — Renan tentou manter a pose, mas eu via o medo nos olhos dele.
— Como eu disse, é só marcar o dia e a hora. Mas se você chegar perto da minha família de novo, eu vou te matar. Não me teste. — Minha voz era uma promessa. Uma promessa que eu sempre cumpro.
Renan apertou o maxilar, tentando manter a compostura, mas ele sabia que estava derrotado.
— Dá licença... eu vou embora, seu desgraçado! — Ele empurrou meu braço para passar, e eu o deixei ir.
Mas antes que ele pudesse sair, eu o avisei mais uma vez:
— Fica longe da minha irmã, Renan. Ou nem dessa casa você vai sair.

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