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Uma noite, uma vida romance Capítulo 114

RENAN NARRANDO:

O clima naquela casa era como andar em um campo minado.

A cada passo, a sensação de que algo explodiria se intensificava, especialmente com os olhos de Rodrigo me perfurando de longe. Mas eu não iria me intimidar. Estava no território dele, sentado à mesa com sua família, e ele não podia fazer nada a respeito. Saber que ele tinha um filho... bom, aquilo era um presente que eu nem esperava ganhar, e a oportunidade de usá-lo contra ele não poderia ter sido mais oportuna.

Duda segurava minha mão, apertando-a levemente de vez em quando, como se quisesse me manter ancorado ali, ao lado dela. Ela não fazia ideia do que se passava pela minha cabeça naquele momento. Para ela, eu era o homem apaixonado que ela havia apresentado aos pais.

Seus pais, Madah e Don Raphael, estavam mais atentos do que imaginei. Faziam perguntas com rodeios, mas deixavam claro que queriam saber mais sobre mim.

— Então, Renato... o que te trouxe ao México, exatamente? — a voz de Don Raphael era séria, mas polida, enquanto levava o copo de uísque à boca.

Mantive a calma, sorrindo suavemente, como quem tem tudo sob controle.

— Um amigo meu estava se desfazendo dos negócios por aqui, e eu vim ajudar com isso. Nada de mais, só uma questão de... investimentos.

Rodrigo, a estátua de pedra ao fundo da sala, rangeu os dentes. Ele não comprava nada da minha história, mas não tinha escolha senão ficar em silêncio. O prazer que senti ao ver o desconforto dele era indescritível. Ele sabia que eu estava perto demais, e que ele não podia me parar.

— O México é um bom lugar para negócios,— Madah comentou

O olhar de Madah parecia atravessar a superfície da minha pele, buscando algo mais profundo. Ela sorriu levemente, mas não era um sorriso de aprovação. Já Don Raphael, mesmo mantendo a compostura, não disfarçava sua desconfiança.

— Rodrigo, tem uma empresa de investimentos na bolsa de valores, e acabou de lançar uma nova criptomoeda que é um sucesso, não é mesmo hermano? — Duda perguntou com um sorriso, tentando aliviar a tensão. Mas o irmão dela não respondeu.

Apenas me lançou um olhar gélido, como se esperasse o momento certo para atacar. O que ele não sabia era que eu já tinha uma vantagem. A ideia de usar Duda estava se tornando cansativa, mas agora, com o filho de Rodrigo no jogo, as possibilidades se ampliavam. Ele teria mais a perder do que jamais imaginou.

De repente, a governanta apareceu, salvando a noite antes que o interrogatório ficasse mais pesado.

— O jantar está servido,— anunciou ela, com um sorriso cortês.

Dona Madah se levantou e, com um sorriso que mais parecia o de um predador, disse:

— Vamos comer, Renato. Sinta-se em casa!

Seguimos para a sala de jantar. Rodrigo, é claro, não me deixou sozinho por um segundo, sempre atrás de mim, como uma sombra incômoda. Duda, por outro lado, me conduziu com leveza, como se estivéssemos num encontro normal e nada daquilo estivesse fora do comum.

Me sentei ao lado dela, enquanto Rodrigo e Gisele se posicionavam à nossa frente. A tensão à mesa era palpável, e mesmo com o banquete italiano disposto de forma luxuosa à nossa frente, ninguém parecia realmente interessado em comer. Pelo menos, não tanto quanto estavam em manter o controle da situação. Madah e Don Raphael ficaram nas extremidades da mesa, observando tudo como se estivessem em uma partida de xadrez.

— Então, Renato, esteve na Itália recentemente? — Madah perguntou, quebrando o silêncio enquanto cortava delicadamente sua comida.

— Há pouco tempo,— respondi, mantendo o tom casual. — Não tenho mais familiares vivos, porém é sempre bom visitar a terra natal, não é?

Ela assentiu, mas antes que pudesse continuar, Rodrigo pigarreou, como se quisesse dizer algo, mas se conteve. Ele só me olhava de forma fixa, enquanto Gisele, ao seu lado, parecia cada vez mais desconfortável. Não era só o silêncio tenso que a incomodava. Eu sabia que a conhecia de algum lugar, e pelo jeito que ela me olhou de volta, ela também sabia. Mas onde? Esse enigma martelava na minha cabeça enquanto eu tentava me concentrar na conversa.

Duda, como sempre, foi a única que tentava quebrar o gelo, comentando sobre como nos conhecemos. Suas palavras eram doces, envoltas em um tom leve que contrastava completamente com a rigidez do ambiente. Eu fingia o melhor que podia, sorrindo e assentindo, como o namorado perfeito.

— E você, Renato, está apaixonado pela minha filha? — perguntou Don Raphael de repente, com seu olhar me analisando profundamente.

Sorri, apertando de leve a mão de Duda sob a mesa.

— Totalmente apaixonado. Ela é maravilhosa, senhor Raphael. Uma mulher incrível.

Duda sorriu, mas eu sabia que as palavras estavam vazias. Meu interesse em expor os videos de sexo que gravei entre nós, estava começando a desaparecer. Agora, a verdadeira diversão seria lidar com Rodrigo, usando o próprio filho.

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