GISELE NARRANDO:
Havia fotos de Micaela e Renan em vários sites.
— Então ele não se chama Renato… Eu juro, Duda, eu não sabia o nome dele, só lembro da aparência — tentei me explicar, sentindo a tensão no ar aumentar.
— Ah, que bastardo desgraçado! Ele só queria me usar para atingir o Rodrigo? Eu não posso acreditar que fui tão tola — Duda disse, com os punhos cerrados perto do rosto.
— Duda, calma... Você não tem culpa dele ser um mentiroso sem escrúpulos — tentei acalmá-la, vendo sua raiva transbordar.
Duda começou a andar de um lado para o outro, furiosa.
— Ai, que ódio! Eu fiquei tão cega! Minha mãe me avisou, e eu não quis escutar. Coincidências no nosso mundo não existem, foi tudo planejado... Merda! — ela gritou, pisando forte.
— Duda, o que você quer dizer com “nosso mundo”? — perguntei, sem entender completamente o que ela estava insinuando.
— Um dia você vai entender, Gisa, esse desgraçado vai me pagar — Ela disse frustrada
— Duda, por favor, calma. Tenho certeza de que tudo isso tem uma explicação — tentei apaziguar, mas ela estava muito nervosa.
De repente, Duda foi até a cabeceira da cama e tirou uma pistola de dentro da gaveta, conferindo a munição.
— Meu Deus! Guarda isso, Duda! O que você vai fazer? — perguntei, assustada.
— Gisele, tem algumas coisas que você ainda não sabe sobre a minha família, mas logo vai saber. Uma delas é que ninguém nos faz de idiota. Fica tranquila, que eu só vou conversar com o bastardo — ela disse, colocando a arma dentro de uma bolsa da Prada.
— Duda, pelo amor de Deus, não faça nada de cabeça quente. Não vai atrás dele, ele pode te machucar! Fala com o Rodrigo primeiro! — pedi, ficando em frente à porta para tentar impedir que ela saísse.
— Gisa, estou muito nervosa agora, mas sei o que estou fazendo. O bastardo quis me usar, então ele vai me ouvir — ela passou por mim como um furacão, abrindo a porta com força.
— Duda, é sério! Conversa com seus pais primeiro, não faça nada! — implorei, indo atrás dela enquanto descia as escadas rapidamente, mesmo de salto, sem vacilar, ela estava furiosa.
— Gisa, por favor, me deixa. Preciso resolver isso agora — ela disse, já abrindo a porta da frente e caminhando para sua Range Rover branca, estacionada logo em frente à casa.
— Duda, espera! — gritei, vendo ela entrar no carro e acelerar, deixando-me ali parada, com o coração na mão.
Eu estava tremendo, com os olhos cheios de lágrimas, meu coração disparado. Tudo ao meu redor parecia pesado, como se a culpa me sufocasse. Não sabia o que fazer. Meus pensamentos estavam embaralhados, e o medo me dominava.
— O que tá acontecendo? — A voz de Rodrigo rompeu o silêncio, me tirando do meu transe.
— Do que você tá falando? Ela machucar ele? Ela é uma mulher! Você não está preocupado com a sua irmã? — minha voz saiu mais alta e indignada.
Como ele podia falar aquilo?
Rodrigo suspirou e me olhou com calma, como se tivesse uma verdade que eu ainda não entendia.
— Como eu disse, você não conhece a Duda como eu conheço — ele disse, balançando a cabeça. — Eu avisei ao Renan para ficar longe dela... Vamos entrar e conversamos melhor. Vem.
Ele tentou me puxar para dentro, mas eu estava incrédula. Não conseguia entender como ele estava tão calmo enquanto Duda poderia estar em perigo.
— Mas você não vai atrás dela? Você não tá me ouvindo? — protestei, olhando para ele em desespero.
Rodrigo suspirou mais uma vez, e, mesmo que ele parecesse calmo, senti a determinação em sua resposta.
— Sim, minha linda, eu ouvi você — ele disse, me abraçando com força, me puxando para perto. — Vou mandar alguns seguranças atrás dela. Quero conversar com você primeiro, vem.
Eu não conseguia me acalmar completamente, ainda sentia um nó na garganta. E mesmo com os braços dele ao meu redor, minha mente estava com Duda, imaginando o pior. Mas Rodrigo não parecia disposto a discutir mais aquilo. Ele me guiou para dentro da casa, onde Madah e Raphael ainda estavam no escritório, mas minha cabeça estava a mil.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma noite, uma vida