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Uma noite, uma vida romance Capítulo 118

RODRIGO NARRANDO:

Assim que entrei no escritório, o ambiente familiar me envolveu. Para quem não conhecia, era apenas uma sala qualquer; somente quem era da família sabia que não era bem assim. Meu pai caminhou até a mesa de mogno, onde estava o telefone. Ele apertou dois botões discretamente, e em questão de segundos, uma estante enorme se moveu, revelando uma passagem secreta. Mesmo sabendo da existência dessa sala desde que era pequeno, ainda era fascinante.

Um espaço de aço polido, confortável, com sofás de couro e uma parede inteira coberta por telas de câmeras e equipamentos de espionagem.

— Rodrigo, por que esse Renato me cheira a rato? — minha mãe disparou, impaciente, sem rodeios.

Ela cruzava os braços, com a postura tensa. Meu pai, do outro lado, já estava analisando algumas das telas, confirmando suspeitas.

— Filho, nós já pesquisamos a placa do carro dele — meu pai começou, com a voz grave e sem emoção — está alugado em nome de uma empresa fantasma. E, mais importante, percebemos a ausência de vocês dois após o jantar na sala.

Eu sabia que seria interrogado. Respirei fundo, endireitei a postura e fui direto ao ponto.

— Ele se chama Renan Venâncio. É o ex-marido da Micaela.

Minha mãe ergueu uma sobrancelha, um gesto que eu conhecia bem, indicando que estava prestes a explodir.

— E por que caralhos esse infeliz está atrás da sua irmã? — a irritação transbordava na voz dela.

Olhei para os dois, sentindo o peso da situação. Não podia evitar o que estava para dizer, mas também não queria dar mais preocupações.

— O desgraçado quer vingança pelos chifres que a Micaela colocou nele comigo. Enquanto eles ainda estavam casados. Ele já mandou incendiar os vinhedos dela. Está tentando me atingir usando a Duda. — Fiz uma pausa, sabendo que a próxima parte poderia piorar o clima. — Eu já o prensei no banheiro. Dei meu recado. Só não o matei porque você acabou de trocar o papel de parede lá recentemente.

— Ah sim, gastei milhares de euros naquele tecido da Dolce e Gabbana... — minha mãe começou, o tom calmo, mas com uma veia de sarcasmo. — Mas aquele bastardo foi muito ousado de vir até aqui te ameaçar e usar sua irmã.

Ela estava furiosa. Sabia reconhecer o perigo quando minha mãe chegava nesse ponto. Meu pai, observando tudo, interveio.

— Eu sempre disse que sair com mulher casada era um problema, meu filho. Quem planta vento, colhe tempestade. — Ele não estava errado, e eu sabia disso.

— Eu sei, pai. Mas vou resolver isso — falei sério, tentando manter a confiança.

Minha mãe, no entanto, não estava disposta a deixar isso em minhas mãos.

— Não, Rodrigo. Aquele bastardo mexeu com meus filhos. Veio à minha casa, sentou à minha mesa. Agora o problema é nosso.

Meu pai, sempre calmo e calculista, assentiu, mas trouxe mais informações para a mesa.

— Os seguranças me avisaram que ele trouxe um rapaz. Esse cara foi visto usando o banheiro dos fundos e andando pela casa.

A raiva subiu instantaneamente. Como pude deixar isso acontecer?

— Mas que merda. Ele deve estar me investigando — Eu disse, já imaginando o pior.

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