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Uma noite, uma vida romance Capítulo 119

DUDA NARRANDO:

Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Pisava no acelerador da Range Rover como se isso pudesse me afastar de toda a humilhação e raiva que queimavam dentro de mim. Cada carro que eu ultrapassava era como uma lembrança da minha ingenuidade. A sensação de ser usada... por Renan... doía mais do que qualquer outra coisa. As lágrimas ameaçavam me cegar, mas eu me recusava a chorar.

Não agora.

Como eu pude ser tão estúpida? A conexão entre nós parecia tão real. Eu me entreguei a ele, corpo e alma, como nunca fiz com ninguém. E tudo o que ele fez foi me usar. Cada toque, cada olhar, cada palavra, tudo uma mentira.

Não era só o sexo, embora fosse intenso e viciante.

Era o jeito como ele me fazia sentir, como se eu fosse importante. Mas agora, tudo isso era uma piada de mau gosto.

— É por isso que as mulheres são consideradas fracas — eu gritei dentro do carro, batendo no volante com força. — Porque acreditam nos canalhas!

Quando finalmente avistei o prédio dele, as luzes da cobertura estavam apagadas. Estacionei um pouco distante, em uma posição estratégica, onde eu pudesse observar sem ser vista. Respirei fundo, tentando controlar a raiva, e tirei um baseado da bolsa. A fumaça foi como um alívio temporário, acalmando meus nervos e a tremedeira nas mãos.

— Ele não faz ideia de com quem está lidando — pensei, tragando profundamente.

Eu não era qualquer uma. Renan queria brincar? Ele não sabia com quem estava jogando.

Ele pensava que podia mentir para mim? Enganar-me? Renan estava prestes a descobrir quem eu realmente era.

Após alguns minutos fumando, senti que estava pronta. Peguei o celular e respirei fundo antes de discar o número dele. O jogo tinha começado, e eu estava disposta a ganhar. Quando ele atendeu no segundo toque, já percebi pela voz que algo estava errado.

— Hola, pimentinha, já está com saudades? — ele disse com uma falsa intimidade, com a voz dele me dando asco.

Fechei os olhos, mordendo o dedo para não gritar o que realmente sentia. Mas o jogo exigia paciência.

— Acreditaria se eu te dissesse que sim, Renato? — menti, deixando um toque de sedução na voz. — Você é como um vício. O que fez comigo, hein?

— Claro que acredito. Também estou viciado em você... — Ele murmurou com aquela voz rouca que, antes, me derretia. Agora, me fazia querer vomitar.

A raiva borbulhava, mas mantive o controle. Canalha!

— Você saiu tão rápido daqui de casa... e o problema é que eu comprei até uma lingerie nova para essa noite. — menti, tentando manter o tom leve, mesmo com o ódio corroendo cada célula do meu corpo.

Houve uma pausa. Eu imaginei o sorriso dele do outro lado da linha, achando que estava me enrolando.

— Hum... que delícia. Eu vim para o escritório resolver um assunto importante de trabalho. — Ele mentia descaradamente. — Por que você não vai para o meu apartamento e me espera lá só com essa lingerie?

Senti um arrepio percorrer minha espinha. Mas não era desejo. Era repulsa.

— Claro, mi amor. Acho uma ótima ideia. — Respondi com a voz mais doce que consegui. — Quanto tempo você chega? Pra eu te esperar ansiosa...

— Daqui a uma hora, mais ou menos. Vou te enviar a senha da fechadura eletrônica por mensagem, pimentinha. Até daqui a pouco. — A voz dele estava tão convencida.

Ele achava que tinha tudo sob controle.

Pobre Renan.

— Até, meu bem. — Eu disse, desligando o telefone, meu estômago embrulhando com o esforço de fingir.

Assim que desliguei, gritei dentro do carro: Renan, eu vou acabar com você, desgraçado! Bati no volante, tentando liberar um pouco da raiva acumulada.

Respirei fundo, terminando de fumar o baseado enquanto organizava meus pensamentos. Estava no controle novamente. O tempo de me sentir uma tola tinha acabado.

Nas férias que passei na Sicília quando adolescente, meu primo Chris me ensinou mais do que apenas nadar nas águas cristalinas. Ele me ensinou a invadir computadores, redes Wi-Fi, celulares. Em menos de três minutos, estou dentro do sistema de Renan. A tela inicial se abre e, com ela, a chave para os segredos que ele achava que podia esconder de mim.

Documentos, contratos, tudo em nome de Renan. Mas o que me chama atenção de verdade é uma pasta nomeada “Micaela”.

Clico nela. Lá dentro, encontro fotos de Micaela e Rodrigo em restaurantes, tiradas de longe. Meu coração acelera. Não pode ser. Mais arquivos sobre Rodrigo: fotos dele, do apartamento dele.

Então, outra pasta aparece. Desta vez, o nome na tela é Duda.

Minhas mãos tremem de raiva ao clicar. Fotos minhas. Fotos de longe, me seguindo em Los Angeles. Ele estava me investigando. Cada parte dos meus últimos dias estavam ali, registrados. Meus passos, minhas selfies sexys que enviei pra ele. E, então, uma última pasta aparece.

Vídeos.

Meus dedos hesitam por um segundo antes de abrir a pasta. O que vejo me faz querer gritar. Cada encontro em seu apartamento, cada momento íntimo que tivemos, o sexo.

Ele gravou tudo.

Meu rosto, exposto em todos os ângulos. Ele, no entanto, está embaçado nas gravações. Olho em volta, procurando câmeras. E, então, as vejo: pequenas, bem disfarçadas, embutidas em relógios e objetos de decoração que pareciam inocentes.

— Desgraçado! — sussurrei entre dentes, sentindo o gosto amargo da traição.

Antes que eu possa agir, ouço a porta se abrindo no andar de baixo.

— Pimentinha, cheguei… — a voz de Renan ecoa, como se nada tivesse acontecido.

Mal sabe ele que quem está prestes a chegar é a sua ruína.

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