RODRIGO NARRANDO:
Ela suspirou antes de responder, como se estivesse revivendo aqueles momentos difíceis.
— Foi uma grande surpresa para mim também. Eu estava trabalhando em dois turnos no resort, então nem percebi que minha menstruação estava atrasada. Só descobri dois meses depois, quando comecei a passar mal. Foi um momento de desespero porque eu não sabia nada sobre você. Nunca... nunca me relacionei de forma íntima com ninguém antes ou depois daquela noite de furacão. Não tinha dúvidas de que você era o pai, então pedi a uma colega que trabalhava na recepção do resort para me ajudar a procurar seu nome entre os hóspedes naquele dia. Mas não havia nenhum 'Rodrigo ou alguém com a primeira letra R'. Foi aí que pensei que você tinha mentido sobre seu nome verdadeiro, e pensei que nunca mais fosse te encontrar de novo — explicou ela, enquanto Rodriguinho empurrava a mamadeira para longe, sinalizando que estava satisfeito.
Ela o colocou no chão novamente, e ele foi correndo em direção aos brinquedos.
— Gisele, eu tive que usar um nome falso, como te falei ontem, eu fui até Cancun para me encontrar com uma pessoa que era casada, não podia ter a chance de ser rastreado pelo marido dela, mas pensei muito em você enquanto voltava para casa. Cheguei até a te convidar para tomar um café comigo, mas você fugiu de mim no dia seguinte quando acordamos juntos — relembrei, tentando entender porque se afastou de mim.
Será que ela planejou tudo aquilo? Não era possível.
— Eu estava completamente envergonhada de ter me entregue a um estranho, depois de te ver naquela confusão do bar. Nunca dormi com nenhum homem antes, só tive um namorado, mas não fui além com ele e não sabia o que você estava pensando de mim. Mas aquela noite foi uma exceção, Rodrigo, me deixei levar pelo momento — respondeu ela, séria, me desafiando com firmeza.
— Acredito em você, Gisele, e não te julgo por ser entregar a alguém de primeira, mas então você não ficou com mais ninguém depois daquela noite? — perguntei, sem esconder minha curiosidade.
Ela era jovem, linda, e seu corpo parecia ainda mais bonito do que eu lembrava, sem aparentar que havia passado por uma gravidez.
— Não, não tive tempo para isso. Meus pais faleceram quando eu tinha dezesseis anos, e depois também, perdi minha madrinha. Sempre trabalhei muito. Quando eu descobri estar grávida de Rodriguinho, minha prioridade era não deixar faltar nada a ele. Me relacionar com alguém não estava nos meus planos — ela respondeu, me deixando pensativo.
— E como você veio parar na capital, se não sabia que eu morava aqui? — perguntei, tentando entender melhor
— Quem não quer viver numa cidade grande? Ainda mais depois que todos na vila onde eu morava descobriram que eu estava grávida. Estavam curiosos sobre quem era o pai. Acabei sendo demitida por causa das fofocas. Pensei em recomeçar longe. Além disso, teria mais oportunidades de emprego aqui na capital, e o hospital seria melhor para o parto. Isso me fez vender a casa dos meus pais e da minha madrinha, mas nunca imaginei que você morasse aqui. O México é grande demais, eu não sabia por onde começar a te procurar — explicou ela, enquanto eu fiquei perplexo com o que ela havia enfrentado sozinha.
— Gisele, sinto muito pelas suas perdas — eu disse com sinceridade.


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