RODRIGO NARRANDO:
Ela abriu.
Estava com o cabelo preso em um coque bagunçado, um shorts simples e uma camiseta que caía pelo ombro, descalça. Havia algo nela, uma simplicidade que contrastava com o caos do meu mundo, mesmo assim os traços de seu rosto delicado, eram lindos.
Antes que eu pudesse dizer algo, vi Rodriguinho engatinhando em direção aos meus pés, usando fraldas com a pequena camiseta azul clara balançando enquanto ele batia as palminhas. Aquele sorriso e a inocência pura daquela criança, fez meu coração tremer de uma forma que eu não sabia que era possível.
— Eu não sabia se já tinham tomado café... — murmurei, oferecendo as sacolas para Gisele. — Comprei algumas coisas.
Ela sorriu, pegando as sacolas e levando-as até a pia. Enquanto isso, me abaixei e peguei Rodriguinho no colo. Ele bateu mais palminhas e riu para mim, um som que parecia dissolver todas as minhas dúvidas. Quando eu estava com ele, não havia incerteza de que era meu menino.
— Entre, por favor — Gisele disse, enquanto fechava a porta atrás de mim.
Rodriguinho começou a apontar para baixo, então o coloquei no chão com cuidado. Ele engatinhou rapidamente até um monte de brinquedos no canto do quarto e pegou um dinossauro de pelúcia. Com um olhar curioso, voltou até mim, estendendo o brinquedo como se quisesse compartilhar. Ajoelhei-me para brincar com ele, mas senti os olhos de Gisele sobre nós. Quando olhei para ela, seus olhos estavam lacrimejando. Antes que eu pudesse dizer algo, ela se virou, fingindo estar ocupada com as sacolas.
Me levantei e dei um passo em sua direção. O espaço do apartamento era tão pequeno que bastou esse único passo para estar próximo dela.
— Você aceita um pouco de café? — Disse ela, enquanto a água fervia em uma panela no fogão.
— Aceito sim — respondi, colocando as mãos nos bolsos, sentindo que ela estava claramente desconfortável com minha presença.
Ela evitou o contato visual, focada na água fervente.


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