GISELE NARRANDO:
Enquanto eu me concentrava no banho de Rodriguinho, Rodrigo, sem que eu pedisse, começou a arrumar a mesa do café, juntar as coisas e guardar na geladeira. Fiquei um pouco envergonhada, imaginando que ele estivesse analisando cada detalhe, mas me senti aliviada por ter feito as compras no dia anterior. Não tinha fartura, mas sempre dei prioridade para a alimentação do meu filho.
Rodriguinho estava especialmente agitado naquela manhã. Ele sempre foi hiperativo, nunca parava quieto por muito tempo. Enquanto eu o banhava, ele ria, jogava água para todos os lados, e minha camiseta já estava completamente molhada. Quando finalmente o tirei do banho, o deitei na cama e comecei a vesti-lo. Era um dia quente, então escolhi uma bermuda leve e uma camiseta azul, penteei seus cabelos molhados e coloquei um sapatinho confortável, passando um pouquinho de perfume, deixando-o bem arrumado.
Rodriguinho engatinhou direto para a sala, indo na direção de Rodrigo, que estava sentado no sofá, mexendo no celular. Parecia tão à vontade ali, como se aquele lugar fosse dele também.
Quando Rodriguinho chegou aos pés de Rodrigo, ele parou o que estava fazendo, olhou para o pequeno e sorriu.
— Olha só esse niño... Cheiroso e bonitão! — Ele disse, pegando Rodriguinho no colo, e o som da gargalhada do meu filho encheu a sala, fazendo nós dois sorrirmos juntos.
Aquele momento me tocou de um jeito que eu não esperava. O vínculo entre eles era visível, como se Rodriguinho soubesse, de alguma forma, que Rodrigo era seu pai.
— Rodrigo, você pode ficar de olho nele por alguns minutos enquanto eu tomo um banho rápido?
— Claro, mas... o que eu preciso fazer? — Ele parecia confuso.
— Você pode dar a mamadeira dele, assistindo desenho. É só isso. — Respondi, preparando a mamadeira rapidamente.
— Mas... como eu faço pra dar a mamadeira? — Ele perguntou, genuinamente perdido, e eu percebi que ele não fazia ideia de como ser pai.
— É simples, olha... — Esquentei a mamadeira no micro-ondas e levei até ele, pegando uma fralda de pano. — Ele não pode deitar muito, senão se engasga.
— Certo... e depois que ele terminar, o que eu faço?
— Ele precisa arrotar. — Expliquei, tentando ser prática.


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