GISELE NARRANDO:
— Vou deixar Rodriguinho com Dona Sueli— eu disse enquanto pegava a bolsa dele e a minha jaqueta. — Você quer conhecê-la?
— Claro — ele respondeu com aquele sorriso que, eu sabia, tinha o poder de conquistar qualquer pessoa. Suspirei e segurei a porta, já pensando nas perguntas curiosas que Dona Sueli faria.
Rodrigo segurou Rodriguinho no colo, e eu dei uma última olhada rápida pela casa. Fechei as janelas, ajeitei algumas coisas e trancamos a porta. Enquanto caminhávamos até o final do corredor, Rodrigo brincava com Rodriguinho, fazendo sons de motor com a boca.
O som da risada de meu filho era música para os meus ouvidos.
Quando chegamos à porta de Dona Sueli, ela já estava aberta. A senhora terminava de tirar o pó dos móveis e sorriu ao nos ver.
— Boa tarde, Dona Sueli — eu disse, batendo de leve na porta para chamar sua atenção.
— Boa tarde, Gisele! — Ela olhou para Rodrigo e para Rodriguinho no colo dele, surpresa.
— Esse é o pai do Rodriguinho — eu disse
— Nossa que surpresa boa! Agora entendi por que o pequeno é tão lindo. Uma mãe maravilhosa e um pai... encantador. — Ela deu uma piscadela, com um sorriso simpático o que me fez corar.
Rodrigo riu e estendeu a mão para ela.
— Muito prazer, Dona Sueli. Me chamo Rodrigo.
Ela apertou a mão dele, claramente sem graça com o charme dele. Eu não a culpava.
— Ah, minha filha, você encontrou o pai do menino, então?
— Pois é, depois te conto com calma — respondi, sem querer entrar em detalhes naquele momento.


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