RODRIGO NARRANDO:
Eu me sentei na minha cadeira confortável de couro, e usei meu celular para fazer uma ligação, ia seguir os conselhos de minha prima, começando pelo básico.
Meu advogado, Ernesto Valdés, era conhecido por ser rápido em resolver meus problemas. Ele cuidava de tudo, desde contratos até situações pessoais mais delicadas, e eu confiava nele como em poucos. Quando finalmente atendeu, sua voz firme e pausada me trouxe de volta à realidade.
— Rodrigo, como está? — disse Ernesto em seu tom habitual, sempre profissional.
— Ernesto, preciso que me ajude com algo pessoal — respondi, com minha voz saindo mais pesada do que eu pretendia. — Eu... tenho um filho, Ernesto. Quero assumir a paternidade dele. Legalmente, com tudo que for necessário, documentos, registros, tudo.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha, como se ele estivesse processando a novidade.
— Um filho? — Ele repetiu, com um leve toque de surpresa. — Claro, podemos fazer isso. Você já fez o teste de DNA?
— Não preciso de teste, Ernesto. Eu sei que ele é meu — respondi, firme.
Havia uma certeza em meu peito que nem a burocracia poderia tirar.
— Entendo, Rodrigo, mas mesmo assim, o juiz pode exigir um teste de DNA para formalizar tudo — ele explicou, com sua voz mantendo a calma. — De qualquer forma, isso é algo que podemos resolver mais tarde. Vamos dar entrada no processo. Preciso de mais algumas informações. Nome da mãe, do menino, e outros dados que você tiver.
— Vou te enviar tudo assim que eu chegar em casa — confirmei, sentindo um nó na garganta ao pensar no meu hijo.
— Perfeito. Assim que tiver os documentos, a gente começa. Vou cuidar de tudo.
Desliguei o telefone e, por um momento, fiquei em silêncio, ainda dentro do carro. Meu filho. Ele teria meu nome, minha herança. Não apenas financeira, mas também meu legado.
Rodrigo… Rodriguinho. Só de pensar nisso, senti meu peito aquecer, uma sensação nova, mas familiar. Um orgulho silencioso.
Ainda com os pensamentos a mil, decidi que precisava me preparar para ser um pai de verdade. Fui até o shopping, para fazer compras. Não era o tipo de coisa que eu fazia normalmente, mas hoje foi diferente. Queria estar preparado quando precisasse buscar meu filho. Passei por várias lojas até encontrar a seção infantil.
Olhei para cada cadeirinha de bebê, escolhendo uma que fosse a mais segura, a mais confortável. Algo que o menino merecesse. Depois de alguns minutos de conversa com a vendedora, optei por uma cadeirinha preta com detalhes em cinza, moderna, com sistema de segurança de última geração.
Era perfeita.



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