Entrar Via

Uma noite, uma vida romance Capítulo 24

RODRIGO NARRANDO:

— Um filho? Mas como assim, Rodrigo? — Vitória perguntou, mais calma, fechando a porta de vidro e se sentando no sofá. Ela esticou as pernas sobre a mesinha e começou a acariciar sua barriga, atenta ao que eu ia dizer.

— Bom, você lembra da última vez que estive em Cancún, quando teve o furacão? — comecei, e ela assentiu.

— Claro que lembro — respondeu.

— Então... naquela noite, o ex marido de Micaela quase nos flagrou juntos.

— Sim, eu já sei disso

— Já te contei essa parte, mas o que não te contei foi que, depois, passei a noite com uma outra mulher. Não me preveni. Ontem, quando estava indo pra casa, tarde da noite, passei numa farmácia e a vi... com um menino, e ela me disse que ele é meu filho. Veja, eu tenho uma foto, ele é a minha cara. — Tirei a foto do álbum de Rodriguinho que estava na minha carteira e entreguei a ela.

— Dios! Ele é idêntico a você, Rodrigo. Olha esse cabelo, e esse sorriso... mas que menino lindo! — Vitória sorriu, com os olhos brilhando ao observar a foto.

— Ele é tão esperto. E eu sinto que ele também sabe que sou o pai dele. Desde que o vi, algo mudou dentro de mim, Vicky. Eu fui até a casa deles... é um cortiço, um lugar perigoso, tráfico de drogas por todo lado. E Gisele, a mãe, já me disse que não quer dinheiro. Ela não sabia quem eu era, não fazia ideia de como me encontrar. Passou maus bocados... — minha voz foi sumindo, enquanto eu pensava no que fazer.

Quando olhei para ela de novo, Vitória estava chorando silenciosamente, limpando as lágrimas.

— Vicky, o que eu disse de errado? — perguntei, preocupado, enquanto tirava o lenço do bolso e entregava a ela.

— Não é isso, Rô. Eu só fiquei emocionada com tudo isso... com a vida difícil dessa criança sem um pai todo esse tempo. — Ela sorriu, enxugando as lágrimas.

— Eu sinto meu coração apertado, sabendo que meu filho está com uma vizinha agora, enquanto a mãe trabalha no bar até de madrugada. Eu não sei o que fazer, Vicky — confessei, passando a mão pelos cabelos.

Vicky respira fundo, sempre a voz da razão.

— Rô, você precisa fazer seu papel de pai agora. Assuma esse menino. Ajude a mãe dele, mesmo que ela não queira. É o direito do seu filho, entende? Ela parece ser honesta, já que poderia ter te procurado para pedir pensão, mas não fez isso. — Ela me aconselha com firmeza.

Eu passo as mãos pelos cabelos, sentindo a pressão dessa nova realidade.

— Eu só não sei por onde começar. Não quero invadir o espaço deles, mas também não quero ficar longe do meu filho por mais um minuto. Ele é tão inteligente... você precisava ouvir a risada dele. É o melhor som que já escutei na vida.

Vicky sorri com carinho, enxugando mais algumas lágrimas.

— Primo, nasceu um pai dentro de você. Vou te dizer por onde começar: liga para um advogado, coloca seu sobrenome nesse menino. Compre uma cadeirinha para o carro. Depois disso, aproveite cada momento com ele, porque o tempo passa rápido demais. Valentina já está indo para a escola e é incrível como ela fica independente a cada dia. Se não fosse o Alejandro, eu teria surtado com essa segunda gravidez. A primeira foi um susto, mas a melhor coisa que já aconteceu comigo. Estamos ansiosos pela chegada do Alezinho, e ele já vai ter um priminho para brincar. — Vicky acaricia a barriga, sorrindo.

Aquelas palavras me acalmaram, me dando um senso de direção.

CAPÍTULO 24 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma noite, uma vida