MICAELA NARRANDO:
Rodrigo passou a mão pela cabeça, parecendo cansado.
— Mica, ela se ofereceu para fazer o exame de DNA. Não acho que ela estaria mentindo. — Ele insistiu, com uma convicção que só me deixava mais irritada por dentro.
Mas eu não podia mostrar isso. Sorri, mantendo o tom doce.
— Meu amor, é exatamente isso. Ela ofereceu o exame porque sabia que você ia pedir. É a maneira dela de ganhar sua confiança, de mexer com a sua cabeça.
Ele hesitou por um momento, e eu sabia que precisava plantar mais dúvidas.
— Ela não pareceu oportunista. Pelo contrário, ela parece tão… esforçada. — A voz dele carregava uma nota de empatia que me incomodou profundamente.
Esforçada. Esse elogio ressoou na minha mente como uma faca. Mas eu mantive o sorriso.
— Essas são as piores, querido. As que se fazem de santas, esforçadas — Falei com uma leve risada, tentando parecer descontraída. — Você mesmo já me disse que detestava meninas mais novas porque elas se apegam rápido e faziam de tudo para prender um homem. Suas palavras, lembra?
Rodrigo balançou a cabeça, confuso.
— Mica, eu... não sei...
A semente estava plantada. Agora era hora de regar.
— Eu só quero o seu bem, amor. — Me aproximei mais dele, buscando seu olhar. — Estamos juntos há tanto tempo, e eu nunca engravidei. Eu jamais te daria um golpe desses. E agora você está chamando esse garoto de filho sem nem fazer um teste de DNA? Todos sabem que você é bilionário, dono de muitas propriedades, quantas entrevistas sobre o mercado financeiro você não fez todo esse tempo?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e então soltou algo que fez meu sangue ferver.
— Pensando por esse lado, você pode ter razão, mas eu me vejo muito nele, Mica. Pensei em buscá-lo amanhã pra passar o dia comigo. Já fiquei tanto tempo longe dele…
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
— Nossa, você já quer passear com o... bastardo? — Falei antes de conseguir me conter. — Sem nem ter certeza se ele é seu filho, Rodrigo?
Rodrigo me olhou sério, e senti um frio na espinha.
— Mica, não o chame de bastardo. Se ele for meu filho, eu quero dar tudo pra ele. E você vai ter que tratá-lo bem se quiser continuar comigo.
Aquelas palavras eram como um golpe direto no meu peito. Mordi os lábios por dentro, tentando conter minha raiva.
— Claro, querido... se ele for seu filho, eu vou tratá-lo como se fosse meu. — Eu disse, tentando soar calma, enquanto minhas entranhas gritavam. — E para te provar que sou justa, posso ir com você amanhã fazer o teste de DNA. Assim resolvemos logo isso.

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