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Uma noite, uma vida romance Capítulo 31

RODRIGO NARRANDO:

Mesmo com todas as informações, eu tentava absorver tudo, mas sabia que a lista seria útil.

Segurei Rodriguinho com um braço e coloquei a bolsa do bebê no ombro.

Ele estava arrumado como um mini-eu, com uma camiseta, calça jeans, tênis, e os cabelos penteados para o lado.

Gisele pegou outra sacola, dessa vez com alguns brinquedos.

— Aqui estão os brinquedos dele, pra caso precise distraí-lo.

— Você pensou em tudo, né? — eu disse, rindo.

Ela me olhou de um jeito que me fez sentir uma mistura de gratidão e respeito.

Antes de sairmos, ofereci: — Te dou uma carona pro trabalho, se quiser.

Ela hesitou por um segundo, mas aceitou.

— Ah, claro. Assim chego mais rápido no bar.

Descemos juntos, com Rodriguinho no meu colo, brincando com o dinossauro de pelúcia. Quando chegamos ao carro, Gisele notou a cadeirinha no banco de trás e sorriu.

— Fez bem em comprar isso,— ela disse, satisfeita.

— Claro, né. Segurança em primeiro lugar,— respondi, enquanto ajustava a cadeirinha e colocava Rodriguinho dentro. Ele se acomodou, e eu o vi sorrir com seu brinquedo nas mãos, já confortável para a viagem.

No caminho para o bar, o clima estava leve. Gisele olhava pela janela enquanto eu dirigia, e Rodriguinho balbuciava algo ininteligível no banco de trás. A cena toda me fez sentir um misto de paz e orgulho.

Quando chegamos ao Bar do Urso, estacionei em frente. O motor do carro ronronava baixinho, enquanto Gisele descia com delicadeza, ajeitando a alça da bolsa no ombro. Seus olhos encontraram os meus antes de se virar para Rodriguinho. Ela sorriu, aquele sorriso que sempre me desarmava.

— Alô? — atendi, ajeitando Rodriguinho na cadeirinha.

— Rodrigo, você pegou o menino? — A voz de Micaela estava impaciente, direta.

— Peguei, sim. Por quê?

— Estou esperando por vocês no laboratório, não esqueça do teste de DNA. Hoje é o dia.

Senti uma hesitação subir pela minha garganta. Fazer esse teste sem falar com Gisele parecia errado. Eu sabia que Rodriguinho era meu, sabia disso no fundo da alma, mas aquele teste era necessário. Eu devia a mim mesmo e a ele. Mas Gisele... ela confiava em mim. Estava certa de que ele era meu, assim como eu. Talvez ela não ligasse, talvez entendesse.

Eu olhei para o sorriso inocente de Rodriguinho no banco de trás, mexendo no seu dinossauro de pelúcia, completamente alheio a toda a complexidade daquele momento. O que importava, afinal, era o futuro dele, e garantir que tudo estava em ordem.

— Tá bom, Mica. Estou a caminho, — eu afirmei, dando partida no carro.

Segui em direção ao laboratório, o peso daquela decisão sobre meus ombros, mas decidido. Era o certo a fazer, e no fundo eu sabia que o resultado não mudaria nada. Rodriguinho era meu filho, não tinha dúvida disso.

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