Seguimos para a sala onde fariam a coleta para o exame de DNA. Tudo muito discreto, como eu tinha exigido. Rodrigo estava tão à vontade, brincando com o menino, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Enquanto colhiam o material, eu ficava observando, já antecipando o alívio de provar que aquela bartender não ia tirar nem um centavo do Rodrigo.
Quando tudo terminou, Rodrigo, com aquele sorriso de sempre, virou-se para mim.
— Mica, segura o Rodriguinho um pouquinho? Vou ao banheiro rapidinho.
Eu queria recusar, queria dizer que não, mas como? Com o mesmo sorriso falso, aceitei.
— Claro, amor, vai lá.
Peguei o menino nos braços. Pesado. Como um saco de batatas mal distribuído. Ele olhava para mim com curiosidade, mas eu só queria distância.
— Escuta aqui, pestinha — murmurei, olhando para o rostinho confuso. — Sua mãe não vai conseguir tirar nada do Rodrigo, entendeu? Não adianta…
Antes que eu terminasse, senti algo quente e nojento na minha roupa. O menino tinha gorfado em mim. O cheiro horrível me atingiu de imediato, e não consegui conter o grito leve de nojo.
— Ah! Que nojo!
Rodrigo voltou correndo, preocupado, e o menino começou a chorar com o meu grito.
— O que aconteceu? — perguntou ele, tirando o garoto dos meus braços.
— Ele... Ele me sujou toda, Rodrigo! — respondi, tentando não parecer tão irritada quanto estava.
Rodrigo deu uma risadinha, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— É só leite, Mica. Relaxa.
Engoli em seco, sentindo o cheiro impregnado na minha blusa caríssima. Era mais do que leite. Era uma afronta. Saí praticamente correndo para o banheiro, limpando minha camiseta com o maior nojo, sentindo a raiva ferver dentro de mim.
— Estou com dor de cabeça, Rodrigo... E um mal-estar. Não tenho muita experiência com bebês, mas depois subo para te ajudar, tá?
Ele me olhou, meio desapontado, mas assentiu.
— Tá bom... Vou pedir alguns tacos pra gente. Te espero lá em cima, então.
— Se eu melhorar, eu subo — respondi, forçando um sorriso antes de lhe dar um beijo rápido de despedida. Quando a porta do elevador se fechou, suspirei de alívio.
"Tchau, pestinha… Tchauzinho", pensei, enquanto o menino sequer olhou pra mim.
Assim que entrei no meu apartamento, não consegui mais fingir. Bati a porta com força, joguei minha bolsa no sofá, tirei as sandálias com raiva e comecei a me despir. Aquele cheiro nojento parecia ter impregnado na minha pele. Corri para o banheiro, sentindo náuseas. A água quente da ducha foi um alívio, mas, por dentro, o nojo ainda estava lá.
— Esse pestinha não é filho dele, tenho certeza disso — pensei enquanto a água escorria pelo meu corpo. — Eu vou desmascarar essa aproveitadora. Custe o que custar.

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