RODRIGO NARRANDO:
Ele conhecia o apartamento melhor do que eu. Foi direto para o banheiro da suíte.
— Mas você vai fazer o quê com ele? — perguntei enquanto pegava a bolsa de Rodriguinho e ia atrás.
— Ele precisa de um banho, Rodrigo! Você o deixou se sujar todo no chão. A mãe desse menino não te conhece pra deixar essa criança com você! Você é um perigo para a sociedade! — Alejandro dizia, colocando o garoto na banheira seca e começando a tirar a roupa dele com uma habilidade assustadora.
— Eu só queria ajudar a mãe dele. Ela o deixa com uma senhora que não é da família para trabalhar de noite até madrugada, pensei que seria fácil... — falei, jogando as roupas sujas de Rodriguinho no lixo.
Alejandro riu.
—Pobre moça, confiar essa criança a passar a noite com você. Esse seu pai é uma piada, Rodriguinho! — ele olhou para o menino e depois para mim. — Você achou que seria fácil cuidar de um bebê? Isso não é brincadeira, marica!
Eu quase vomitei quando ele tirou a fralda transbordando e jogou aquilo no lixo.
— Só não estou acostumado com isso, tá legal? Não fica me zoando! — retruquei, indo lavar minha boca na pia.
— Acostume-se, porque agora que ele começou a comer, só vai piorar — Alejandro falou, ligando a ducha e lavando Rodriguinho com uma facilidade que me deixava com inveja.
— Vai me dizer que você nunca sentiu nojo trocando as fraldas da Valen? — perguntei, me sentindo um pouco mais humano.
— Claro que não! Eu lido com coisas piores no meu trabalho. Além do mais, a Vicky não gostava muito dessa parte, então sobrava pra mim. Agora vem logo, cacete, me ajuda aqui! — ele ria enquanto Rodriguinho gargalhava também, se divertindo.
— Você gostou dele, filho? Esse é o seu tio mais chato. — eu disse, segurando o menino enquanto Alejandro terminava de dar banho.
— Eu sou muito mais legal que esse banana do seu pai. — Alejandro piscou para Rodriguinho, que riu como se concordasse.
Ele começou a ensaboar os cabelos de Rodriguinho com o maior cuidado, e eu estava tentando não parecer completamente perdido. Alejandro, com um sorriso de orelha a orelha, fazia questão de tornar a situação uma espécie de aula. Claro, ele não ia perder a oportunidade de me lembrar que eu estava aprendendo.
— Isso, vai aprendendo com o melhor, meu amigo — disse Alejandro
Não dava para negar, Alejandro estava se divertindo às minhas custas, sem dúvidas. E quem sabe, já se preparando mentalmente para a chegada do Alezinho. O cara parecia um profissional quando se tratava de bebês. Já eu? Bem... eu estava só tentando não afogar o menino.
— Tem que tomar cuidado com o sabão nos olhos, senão é berreiro.
— Berreiro? — perguntei enquanto ele começava a rir.
— Ah, fica tranquilo. No máximo, você vai levar um chute aqui e ali, nada demais — ele piscou.
O Rodriguinho me olhava com os olhos arregalados, claramente achando tudo aquilo uma grande brincadeira.
Não vou mentir, a gente se molhou bastante. Quando terminamos, enrolei o menino em uma das minhas toalhas felpudas, como se fosse um burrito humano. Eu estava orgulhoso. Até que Alejandro veio com o próximo desafio.
— Agora vamos trocar a fralda, Rodrigão. Tem que ser rápido. Se demorar muito, corre o risco de… você sabe, uma surpresa desagradável.
— Surpresa? Tipo xixi? — pensei, um pouco mais tenso do que gostaria de admitir.
Enquanto eu tentava descobrir qual lado da fralda era a frente, Alejandro passou pomada no bumbum de Rodriguinho, que estava um pouco vermelho.
— Você não pode deixar a fralda suja muito tempo, senão acontece isso, e pode machucar o Rodriguinho — explicou ele.
Eu apenas assenti, mais focado em não errar a parte mais importante. A fralda ficou meio torta, mas estava lá.
Consegui!
Alejandro olhou, deu um sorriso condescendente e começou a vestir o menino com o pijama que separei de sua bolsa, uma calça e uma camisa de manga longa, penteando o cabelo do moleque, que bateu palminhas, rindo.
Era um mini puxa-saco do tio, isso sim.
— Viu? Simples. — Alejandro riu, e eu só balancei a cabeça.

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