RODRIGO NARRANDO:
Eram três da manhã e eu estava completamente exausto. O dia tinha começado cedo demais, com uma série de compromissos que pareciam não ter fim. Para completar, Rodriguinho, estava com energia de sobra desde que acordou da pequena soneca e não parou mais. O moleque tinha só sete meses, mas parecia ter a energia de cinco crianças ao mesmo tempo.
Eu estava no limite. Não queria mais dar a comida congelada que Gisele tinha enviado, não depois da última fralda explosiva. Eu não queria correr o risco de mais uma bomba. Então, mantive as coisas simples: mamadeiras e algumas frutinhas. Mas, mesmo assim, parecia que ele tinha uma fome infinita.
Já era tarde demais, e Rodriguinho começou a ficar irritado. Ele reclamava da fralda encharcada de xixi, e trocar aquilo foi uma verdadeira batalha. O problema não era só o cansaço, era a inquietação dele. Assim que terminei de trocá-lo, o menino não parava quieto, se mexendo de um lado para o outro, tentando engatinhar por toda a cobertura. Estava claro que ele estava cansado, mas o sono parecia estar fugindo dele.
Peguei ele no colo e tentei de tudo: balançar, cantarolar, até coloquei uma música suave no fundo. Nada funcionava. Rodriguinho olhava pra mim com aqueles olhinhos curiosos, mas o choro começava a vir. Um choro que ia crescendo, como se ele estivesse reclamando da própria exaustão, mas sem saber como sair dela. Eu tentava falar baixinho com ele:
— Vamos lá, filhão... papai tá morto de cansado, e você também tá. Só falta dormir, tá bom?
Mas ele continuava choramingando, inquieto, e nada parecia ser o suficiente. Olhei pro relógio. Três e meia da manhã. Já não sabia mais o que fazer. A cabeça começava a latejar de dor, e eu só queria que ele pegasse no sono. Mas isso não ia acontecer tão cedo.
Decidi que não dava mais. Coloquei um tênis rápido, peguei a bolsa dele e o coloquei no carrinho. Não tinha outro jeito. Alejandro e Micaela provavelmente estavam dormindo e, a essa hora, não iam me atender. Só me restava Gisele. Ela estava no trabalho, mas logo sairia. Talvez pudesse me dar alguma dica ou me ajudar. Ela sabia lidar com o Rodriguinho muito melhor do que eu.
— Tá bom, vamos até a mamãe, filhão — murmurei, enquanto ele continuava a resmungar e se mexer no meu colo.
No elevador, o choro começou a aumentar, e eu me apressei para chegar até a garagem. Meu conversível estava no subsolo, mas só de pensar em como ele ia reagir dentro do carro, meu cansaço se intensificou. Coloquei ele na cadeirinha confortável no banco de trás, mas assim que o soltei, ele começou a chorar de novo. O pequeno não queria sair do colo, e isso estava acabando comigo.

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