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Uma noite, uma vida romance Capítulo 39

GISELE NARRANDO:

Chegando à porta, destranquei-a e entrei primeiro, colocando as bolsas sobre o sofá. Meu espaço era pequeno, mas era aconchegante, e o berço de Rodriguinho já estava preparado ao lado da minha cama. Ajeitei os lençóis e organizei o travesseirinho enquanto Rodrigo se aproximava. Ele se inclinou com cuidado, colocando nosso filho no berço, e eu rapidamente cobri suas perninhas com a manta que ele adorava. O toque da pele quentinha me encheu de uma ternura que não dava para explicar.

Rodrigo foi até a sala e se espreguiçou, claramente exausto. Me aproximei dele, falando baixinho para não acordar o bebê.

— Obrigada por ter cuidado dele essa noite. — Eu disse com sinceridade.

Rodrigo me olhou, com os olhos cansados.

— Foi muito bom passar esse tempo com ele... Quero ter outras noites assim, se você deixar.

Nossos olhares se cruzaram por alguns segundos. Ele estava com os olhos profundos, o cabelo bagunçado, e mesmo assim, parecia mais bonito do que nunca. Senti algo mexer dentro de mim, uma sensação de que tentei fugir, mas que parecia insistir em permanecer. Sorri, tentando manter a conversa leve.

— Claro, você pode vir buscá-lo quando quiser, é só me avisar antes.

Ele sorri de volta, aquele sorriso suave que me desarmava.

— Gracias — disse ele, — mas acho que preciso ir descansar, estou exausto.

Sorri, imaginando como Rodrigo deveria ter se virado para cuidar de tudo sozinho. Talvez ele fosse um pai melhor do que eu tinha imaginado. Ele havia deixado as coisas na casa dele de propósito? Para ter a chance de receber o Rodriguinho mais vezes? O pensamento aqueceu meu coração, talvez até mais do que deveria. Sacudi a cabeça, tentando afastar essas ideias.

Rodrigo era apenas o pai do meu filho. Nada mais. Não poderia deixar as coisas se confundirem.

Senti meu corpo esquentar de forma estranha, e decidi que um banho quente ajudaria a clarear minha mente. No banheiro, enquanto a água quente escorria pelo meu corpo, lembrei da noite de furacão que passei com Rodrigo. O toque dele, há um ano e meio, voltou como se tivesse sido ontem. Meu corpo se arrepiou, e eu me senti estranha, incomodada. Precisava parar de pensar nele assim. Minha prioridade era meu trabalho e meu filho. Apenas isso. Repeti isso para mim mesma várias vezes enquanto saía do banho, tentando afastar qualquer pensamento que pudesse me desviar desse foco.

Penteei os cabelos, escovei os dentes e vesti meu pijama confortável. Antes de me deitar, fechei as cortinas da janela da sala, já percebendo que o dia estava começando a limpar lá fora. Finalmente, me deitei ao lado de Rodriguinho e fiquei observando seu rostinho sereno. Ele deve estar exausto, pois nem se mexeu desde que o colocamos no berço. Acariciei sua bochecha com carinho e murmurei para ele ter bons sonhos.

Com um último suspiro, fechei os olhos.

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