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Uma noite, uma vida romance Capítulo 38

GISELE NARRANDO:

Eu não conseguia tirar da cabeça como seria a primeira noite de Rodriguinho com Rodrigo. Fiquei pensando se ele estava bem, se estava dormindo, se o Rodrigo tinha dado conta de tudo. Era estranho sentir essa preocupação, uma mistura de ansiedade com alívio. Rodrigo estava disposto a ajudar, e por mais que eu ainda tivesse minhas dúvidas, a ideia de dividir as responsabilidades com o pai do meu filho me trazia uma sensação boa. Talvez, pela primeira vez, eu não estivesse sozinha nessa jornada.

A noite no bar estava agitada, como de costume. O movimento só começou a acalmar lá pelas três da manhã. Entre servir os clientes e organizar o balcão, meus pensamentos voltavam para o celular. A cada vibração ou toque, meu coração acelerava. Será que ele ia me mandar uma mensagem? Será que estava tudo bem com Rodriguinho? O bar estava lotado, mas minha mente estava em outro lugar.

— Vamos, Gisele, foco aqui — pensei, enquanto organizava as bebidas.

No balcão, quem não faltava era o Flaviano, um cliente frequente, desses que aparecem quase todas as noites depois do trabalho para encher a cara. Ele sempre vinha com as piadas dele, e, por mais que falasse besteiras de vez em quando, era engraçado. Hoje, ele estava sentado no balcão, com aquele jeito despreocupado, conversando com Afonso e Jéssica, tomando todas. Mesmo com a distração, de vez em quando eu olhava o celular. Nenhuma mensagem. E aquilo me deixava ansiosa, inquieta.

Quando finalmente terminamos de organizar tudo, limpar o chão e fechar o bar, eu me despedi da equipe. Tirei o avental, peguei minha jaqueta e minha bolsa. Já era tarde, e eu estava cansada, mas, mesmo assim, pensei em mandar uma mensagem para Rodrigo.

Será que está tudo bem? Será que ele conseguiu fazer Rodriguinho dormir? A dúvida me corroía, mas era muito tarde. Talvez ele estivesse dormindo agora.

Saí do bar, e comecei a caminhar pela rua deserta. A noite estava fria, o vento gelado fazia o meu cabelo balançar. Quando fui atravessar a rua, vi um carro estacionado do outro lado. Parecia o carro do Rodrigo.

Não pode ser, pensei, é coincidência, deve ser outro. Mas, ainda assim, algo me impulsionou a ir conferir de perto. À medida que me aproximava, reconheci a Mercedes. A capota estava fechada, mas o vidro não era escuro. Quando olhei para dentro, meu coração quase parou: era ele, dormindo no banco do motorista, e, atrás, Rodriguinho na cadeirinha, também dormindo.

Senti uma preocupação imediata. Bati na janela do carro, meio nervosa, mas tentando manter a calma. Rodrigo despertou assustado, coçando os olhos como quem nem sabia onde estava. Quando ele abriu a janela, o rosto dele com sono me fez querer rir e me preocupar ao mesmo tempo.

— Rodrigo, o que aconteceu? — Perguntei, olhando imediatamente para Rodriguinho, ainda dormindo no banco de trás.

Ele suspirou, claramente exausto, e me explicou com uma voz baixa e arrastada:

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