GISELE NARRANDO:
Eu podia sentir a tensão no ar, mas mantive meu olhar firme no dela, esperando que aquela máscara de superioridade caísse. Micaela cruzou os braços, mas não recuou. Ela não estava acostumada a ser enfrentada, era fácil perceber. Só que hoje, eu não ia engolir mais nada.
— É melhor aceitar a pensão do bastardo e se afastar do meu namorado, ou vai ter sérios problemas comigo — ela ameaçou, com um sorrisinho cínico que fez meu sangue ferver.
Aquela palavra "bastardo" ecoou na minha cabeça, como um tapa na cara. O Rodrigo, sinceramente, já não me importava mais, mas meu filho? Meu Rodriguinho? Ela não tinha o direito de falar dele assim. Sem pensar duas vezes, coloquei uma mão na cintura e deixei a ironia sair.
— Ah, mas eu já tenho sérios problemas com você, a partir do momento que fica chamando meu filho de bastardo. Seu namorado é todo seu, eu detesto homens canalhas. Na verdade, vocês dois combinam muito bem — ri com desprezo.
O rosto de Micaela ficou rígido. Ela não estava acostumada a ser desafiada dessa forma, especialmente não por alguém que ela julgava "inferior".
— Você não me engana com esse teatrinho de moça trabalhadora, morando nessa pocilga. Dá para entender o seu desespero de querer dar o golpe da barriga no Rodrigo — ela continuou, cada palavra impregnada de malícia.
Eu senti o chão sumir por um segundo, mas recuperei o fôlego rapidamente. Ela realmente acreditava nesse absurdo? Que eu queria dar o golpe no santo Rodrigo? Ou que eu estava atrás do dinheiro dele? Era patético.
— Escuta aqui — eu disse, com minha voz saindo mais firme do que eu esperava —, você não vai mais me ofender dentro da minha própria casa. Sai daqui agora!
Eu estava furiosa. Não sabia de onde vinha tanta calma ao mesmo tempo, mas minha raiva me dava forças. Micaela, no entanto, ainda se achava no direito de me atacar.
— Eu vou embora, a verdade dói, não é mesmo? Eu sou herdeira, diferente de você, que é uma pobre coitada, dando golpe na barriga, usando um bastardinho — foi o que ela disse, e ali eu atingi meu limite.
Sem pensar duas vezes, agarrei o balde com água suja que eu tinha usado para limpar o chão, antes que ela pudesse reagir, joguei toda a água sobre ela. Micaela gritou, horrorizada, com o vestido caro completamente encharcado.
— Essa água é igual a você: suja! Sai da minha casa agora! — gritei, sentindo o calor da adrenalina dominar meu corpo.
Micaela deu um passo para trás, chocada.
— Sua louca! Olha o que você fez comigo! — ela gritou, começando a caminhar para o corredor, ensopada e com os cabelos grudados no rosto.
— Eu não vou te mandar sair da minha casa de novo! — continuei gritando,com minha voz ecoando pelo corredor.
De repente, ouvi a voz familiar de Dona Sueli, se aproximando junto com outras vizinhas que tinham ouvido o tumulto.
— Meu Deus, o que está acontecendo aqui, Gisa? — Dona Sueli perguntou, olhando de Micaela para mim com uma expressão de preocupação.


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