GISELE NARRANDO:
— Posso saber o que você quer? — Fui direta, sem paciência para rodeios.
Micaela deu aquele sorriso que me fazia querer vomitar.
— Claro. Gosto de pessoas diretas assim. — Ela deu um passo à frente. — Isso me mostra que você não é tão inocente quanto parece.
Suspirei fundo, tentando manter o controle.
— Micaela, eu não tenho tempo a perder como você, então é melhor ir direto ao assunto. O que está fazendo aqui?
Ela me encarou, como se estivesse analisando cada movimento meu, tentando achar alguma fraqueza. Respirou fundo e, com um olhar frio, respondeu.
— Você sabe muito bem que o assunto é o Rodrigo. O que mais eu teria para tratar com você?
Rolei os olhos, já sem paciência para essa palhaçada.
— Continue, Micaela. Ainda não estou entendendo.
Ela estreitou os olhos, como se estivesse se preparando para um ataque.
— Que golpe baixo, até para você bartender…
— Não teve golpe nenhum, me chamar de bartender não me menospreza, eu tenho orgulho de trabalhar para conquistar minhas coisas — Eu disse a encarando
— Se você acha que pode usar um bebê para atrair o Rodrigo, está muito enganada. Eu conheço o tipo de oportunista interesseira, que você é de longe — A voz dela saiu mais cortante. — É bom você saber que eu e Rodrigo temos algo sólido, algo que você jamais vai destruir. Porque ele me ama, então é melhor você se afastar do meu homem.
Senti vontade de rir. Micaela estava desesperada, e isso só tornava tudo mais claro. Eu não precisava fazer nada, ela estava se corroendo por dentro sozinha.
— O Rodrigo vai fazer de tudo por esse bastardo, mas saiba que o filho legítimo sou eu quem vai dar para ele. — Ela disse, cada palavra saindo como uma punhalada. — E você não passou de diversão para ele.
Eu a encarei, firme, sem me deixar abalar. Micaela estava tentando me intimidar, mas não ia conseguir. Eu sabia que, por trás daquela fachada de superioridade, ela estava apavorada. Rodrigo podia ter se envolvido com ela, mas ele nunca olhou para Micaela da mesma forma que olhou para Rodriguinho e para mim. Ela sentia isso, e era por isso que estava aqui, desesperada.
— Você quer um troféu, Micaela? Parabéns por ser a amante que foi promovida a namorada, depois daquele escândalo que seu marido corno fez na minha frente — Respondi com a voz firme, sem deixar transparecer minha insegurança. — Mas um dia, o Rodrigo vai ver como você é podre por dentro, e então vai ver que a diversão pode acabar rápido demais.
Ela me encarou por mais alguns segundos, com o sorriso sumindo do rosto dela como se nunca tivesse existido. Era impressionante como Micaela conseguia exalar desprezo até em silêncio. Quando finalmente falou, a voz dela era cheia de veneno.
— Você é muito audaciosa, Gisele, mas o Rodrigo vai ver logo quem é a oportunista que você é. Eu tenho dinheiro, diferente de você, pobre coitada — ela disparou, com aquele tom de superioridade que me enojava
Eu não conseguia mais me conter. Eu sempre trabalhei duro por tudo o que tenho, e essa mulher... Ela não fazia ideia do que era batalhar todos os dias, criar um filho sozinha, e ainda ser humilhada assim. Respirei fundo, mas não ia deixar barato.
— Eu sempre trabalhei muito para dar tudo ao meu filho. Nunca precisei depender de homem nenhum. Seu dinheiro não compra caráter, é por isso que você é tão falsa — respondi, dando um passo à frente.

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