RODRIGO NARRANDO:
Depois de dar o banho em Rodriguinho e trocá-lo com a ajuda da minha mãe, senti um alívio ao ver meu filho aconchegado no pijama azul claro. Minha mãe, como sempre, estava radiante, enchendo o neto de elogios.
— Olha só, Rodrigo, como ele é lindo! Parece você quando era pequeno segurando sempre o pezinho pra cima. — Eu sorri, cansado, mas com uma alegria que não sentia há tempos.
Duda, claro, não parava de filmar.
— Ele é uma estrela. Cada movimento desse bebê vale ouro — disse ela, rindo enquanto registrava cada detalhe com o celular ou sua câmera.
Eu estava grato por aquilo. Queria ter essas lembranças para sempre.
— Valeu, Duda. Essas imagens serão importante pra ele... e pra mim.
Depois de dar mais um pouco de mamadeira, Rodriguinho finalmente adormeceu, o rostinho sereno, respirando de forma ritmada. Coloquei-o com cuidado na cama super king size dos meus pais, enquanto minha mãe organizava travesseiros ao redor para garantir que ele não caísse. Fiquei olhando por alguns instantes, admirando aquela tranquilidade. Como eu tinha sentido falta disso.
Duda interrompeu o momento.
— Vou tomar um banho e depois subir os vídeos na nuvem, tá? Daqui a pouco eu volto.
Fiquei sozinho com meus pais na sala após deixar Rodriguinho no quarto. Minha mãe logo apareceu com uma garrafa de tequila e três doses servidas. Ela acendeu um cigarro, algo que sempre fazia depois de um dia intenso.
— Aqui, filho. Um brinde à vida do Rodriguinho — ela disse, estendendo o copo.
Peguei a minha dose, hesitante, mas virei.
— Já estava indo, mãe.
Ela soltou a fumaça devagar, com um olhar sério, e disse:
— Antes de você ir, preciso te contar uma coisa.
Fiquei curioso e um pouco apreensivo.
— O que foi?
Ela tomou um gole da tequila e me olhou com aquela expressão típica dela quando sabia que estava prestes a me surpreender.
— Convidei a Gisele pra morar aqui em casa com Rodriguinho... e ela aceitou.

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