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Uma noite, uma vida romance Capítulo 65

RODRIGO NARRANDO:

Dirigir de volta para a casa dos meus pais com a cabeça cheia de frustração não era exatamente como eu tinha planejado o resto do meu dia. A conversa com Gisele... bom, isso foi um desastre completo. O silêncio que pairava no carro até agora parecia ecoar no fundo da minha mente, como um lembrete constante de que eu precisava aprender a lidar melhor com tudo. Mas lidar com a mãe do meu filho? Isso não estava nos meus talentos.

Pego o celular, respiro fundo e ligo para Virgínia. Preciso me distrair com alguma coisa de trabalho, algo que eu saiba controlar.

— Senhor Rodrigo? — a voz de Virgínia soa atenta, como sempre.

— Virgínia, o que você tem pra mim? — pergunto enquanto ajustei o volume do áudio, tentando me concentrar na conversa.

— Temos alguns assuntos urgentes no escritório. Preciso que você veja alguns documentos sobre a reunião de amanhã e também tem aquele contrato pendente... — ela começa a listar, mas eu a interrompo.

— Anota tudo, por favor. Amanhã estarei no escritório. Me envia por e-mail o que for mais urgente.

— Sim, senhor — ela responde, com a formalidade na voz dela sempre me deixando um pouco desconfortável, mas era o que eu esperava.

Desligo o telefone e logo estou na entrada da mansão dos meus pais. Assim que abro a porta, sou recebido pelo som animado de músicas infantis tocando na tv. No meio da sala, todos os móveis foram afastados para abrir espaço para o Rodriguinho, que engatinhava pelo tapete com minha mãe rindo e o incentivando.

Minha mãe e minha irmã estavam tão concentradas brincando com ele que nem perceberam que entrei. Passei os olhos pela cena, e ali fora, meu pai falava no telefone, com seu charuto já a meio caminho de ser consumido. Negócios, claro.

Eu tirei os sapatos, ficando só de meia, e me juntei à brincadeira

— Olha só quem chegou! — Minha mãe exclamou com aquele sorriso materno que sempre me deixava mais calmo.

Rodriguinho deu risadinhas ao me ver e logo começou a vir em minha direção com aqueles movimentos desajeitados e adoráveis de bebê. Eu me abaixei, abrindo os braços, e ele veio rápido — o mais rápido que conseguia, pelo menos.

— Vamos lá, campeão! — incentivei, o pegando no colo quando ele se aproximou.

O cheiro suave de bebê encheu meus pulmões e, naquele momento, a frustração com Gisele pareceu se dissipar um pouco, mas logo Rodriguinho começou a fazer careta em meu colo.

— Quer ajuda para trocar a fralda, Rodrigo? — Minha mãe ofereceu, mas era mais uma ordem do que uma pergunta.

Suspirei. Trocar a fralda não era exatamente a parte que eu mais gostava de ser pai.

— Vai, filho, quero ver se você aprendeu alguma coisa com o Alejandro — Minha mãe riu enquanto me entregava os lenços e a fralda.

Duda, minha irmã, apareceu com sua câmera profissional em mãos, já filmando.

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