RODRIGO NARRANDO:
Dirigir de volta para a casa dos meus pais com a cabeça cheia de frustração não era exatamente como eu tinha planejado o resto do meu dia. A conversa com Gisele... bom, isso foi um desastre completo. O silêncio que pairava no carro até agora parecia ecoar no fundo da minha mente, como um lembrete constante de que eu precisava aprender a lidar melhor com tudo. Mas lidar com a mãe do meu filho? Isso não estava nos meus talentos.
Pego o celular, respiro fundo e ligo para Virgínia. Preciso me distrair com alguma coisa de trabalho, algo que eu saiba controlar.
— Senhor Rodrigo? — a voz de Virgínia soa atenta, como sempre.
— Virgínia, o que você tem pra mim? — pergunto enquanto ajustei o volume do áudio, tentando me concentrar na conversa.
— Temos alguns assuntos urgentes no escritório. Preciso que você veja alguns documentos sobre a reunião de amanhã e também tem aquele contrato pendente... — ela começa a listar, mas eu a interrompo.
— Anota tudo, por favor. Amanhã estarei no escritório. Me envia por e-mail o que for mais urgente.
— Sim, senhor — ela responde, com a formalidade na voz dela sempre me deixando um pouco desconfortável, mas era o que eu esperava.
Desligo o telefone e logo estou na entrada da mansão dos meus pais. Assim que abro a porta, sou recebido pelo som animado de músicas infantis tocando na tv. No meio da sala, todos os móveis foram afastados para abrir espaço para o Rodriguinho, que engatinhava pelo tapete com minha mãe rindo e o incentivando.
Minha mãe e minha irmã estavam tão concentradas brincando com ele que nem perceberam que entrei. Passei os olhos pela cena, e ali fora, meu pai falava no telefone, com seu charuto já a meio caminho de ser consumido. Negócios, claro.
Eu tirei os sapatos, ficando só de meia, e me juntei à brincadeira
— Olha só quem chegou! — Minha mãe exclamou com aquele sorriso materno que sempre me deixava mais calmo.
Rodriguinho deu risadinhas ao me ver e logo começou a vir em minha direção com aqueles movimentos desajeitados e adoráveis de bebê. Eu me abaixei, abrindo os braços, e ele veio rápido — o mais rápido que conseguia, pelo menos.
— Vamos lá, campeão! — incentivei, o pegando no colo quando ele se aproximou.
O cheiro suave de bebê encheu meus pulmões e, naquele momento, a frustração com Gisele pareceu se dissipar um pouco, mas logo Rodriguinho começou a fazer careta em meu colo.
— Quer ajuda para trocar a fralda, Rodrigo? — Minha mãe ofereceu, mas era mais uma ordem do que uma pergunta.
Suspirei. Trocar a fralda não era exatamente a parte que eu mais gostava de ser pai.
— Vai, filho, quero ver se você aprendeu alguma coisa com o Alejandro — Minha mãe riu enquanto me entregava os lenços e a fralda.
Duda, minha irmã, apareceu com sua câmera profissional em mãos, já filmando.
Entre risadas, terminei de trocar a fralda e senti aquele peso bom de estar presente para o meu filho. Dei o mamá pra ele logo depois, e era tão bom tê-lo no meu colo, tranquilo e contente, depois de tantos dias longe. Mandei alguns vídeos para Gisele, que visualizou, mas não respondeu. Já as mensagens da Duda, Gisele respondeu rápido, o que me irritou, mas eu decidi não deixar isso estragar o momento.
Quando o fim da tarde chegou, a casa estava tomada por uma energia familiar que eu não sentia há tempos. Duda, com seus comentários engraçados, meus pais completamente encantados com o neto... Rodriguinho trouxe uma união para a família que fazia tempo que eu não via.
Na hora do jantar, ele estava mais agitado, mas comemos todos juntos na mesa, como uma verdadeira família. Depois, foi hora de dar banho nele. Coloquei-o na banheira da suíte master da minha mãe e, claro, Duda ainda estava lá, com sua câmera na mão, filmando cada movimento.
— Segura ele firme, Rodriguinho, ainda não fica em pé direito — minha mãe orientou com paciência, enquanto eu tentava não escorregar com ele nos braços.
— Ah, fácil pra você falar, mãe. Isso é tipo uma manobra impossível! — eu brinquei, e Duda não perdeu a chance de fazer piada.
— Olha isso, Gisele! Rodrigo sofrendo pra dar um banho no nosso bebê — ela riu enquanto gravava no seu celular, e eu joguei um pouquinho de água nela.
— Mãe! O Rodrigo tá me molhando! Manda ele parar! — Duda reclamou, fazendo drama como sempre.
— Olha, eu não vou falar nada para vocês dois, minha atenção é toda do meu tesouro aqui, não é meu lindo? Quem é o bebê mais perfeito da vovó — minha mãe respondeu, rindo para seu netinho lavando seus cabelinhos.
Rodriguinho também deu uma risadinha, como se confirmasse as palavras da minha mãe, ele era tão espertinho.

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