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Uma noite, uma vida romance Capítulo 68

GISELE NARRANDO:

Quando cheguei em casa após mais um turno cansativo no bar, o silêncio era quase ensurdecedor. Estar sem o Rodriguinho era estranho, como se parte de mim tivesse ficado para trás. A kitnet parecia vazia, e o cansaço que eu sentia não era só físico, era emocional também. Eu estava acostumada com aquela bagunça carinhosa que ele fazia, com o riso dele preenchendo os espaços. Sem ele, o vazio me invadiu.

Tomei um banho rápido, evitando essa sensação de falta. Enquanto a água escorria pelo meu corpo, me lembrei de todas as vezes que meu celular vibrou durante o meu trabalho. Eram mensagens da Duda. Ela mandava fotos e vídeos do Rodriguinho. Meus lábios se curvaram em um sorriso ao ver as cenas dele com o pai, Rodrigo, trocando fralda, dando banho, fazendo o bebê dormir. Duda tinha um jeito divertido de registrar esses momentos, e eu acabei vendo os vídeos mais de uma vez, saí do banho me secando e me enrolando com minha toalha.

Involuntariamente, eu reparava em Rodrigo. Ele era tão bonito... aquele jeito charmoso dele sempre me deixa desconcertada, mesmo que eu não quisesse admitir. Mas, ao mesmo tempo, ele era tão canalha. “Droga, Gisele”, pensei comigo mesma, desligando o celular e deitando na cama.

Não vale a pena ficar remoendo essas coisas.

Fechei os olhos, tentando descansar. Mas, por volta das dez horas da manhã, fui acordado com alguém batendo à porta. Meio grogue, me arrastei até lá e, ao abrir, dei de cara com Duda, de óculos escuros, usando um short curto e um cropped que mostrava quase todas as suas tatuagens, e uma camiseta solta. Ao lado dela estavam Rita, a governanta, e mais uma funcionária.

— Buenos dias, princesa! — Duda tirou os óculos e me deu um sorriso radiante, como se o sol fosse ela. — Viemos te ajudar a arrumar as coisas. Minha mãe pediu pra gente vir cedo, antes que você mudasse de ideia.

Esfreguei os olhos e ajeitei os cabelos bagunçados, ainda meio perdida.

— A sua mãe é sempre tão persuasiva assim? — Eu disse tentando manter o tom casual, mas sentindo a pressão velada por trás da visita.

— Um pouco... Ela sabe ser muito pior, acredita. — Duda deu um sorriso enigmático, me lançando um olhar que dizia que eu não queria ver o outro lado de Madah.

Suspirei, cansada.

— Eu não quero nem ver. — respondi, me afastando para que elas entrassem.

— É melhor assim. Agora, me diz, por onde começamos? — Duda perguntou, olhando ao redor da minha pequena sala.

Estava tudo no seu devido lugar, mas ao mesmo tempo, a bagunça da minha vida se espalhava por cada canto.

Respirei fundo, tentando racionalizar. Talvez fosse o melhor mesmo. Seria mais fácil começar de novo se não estivesse sobrecarregada com coisas materiais.

— Tudo bem. Vamos arrumar as roupas primeiro, então.

Peguei algumas malas que eu tinha, mas não eram suficientes para tudo. Acabei tendo que colocar muitas das minhas coisas em sacolas de lixo. Era humilhante de certa forma, mas eu não tinha outra opção.

Enquanto isso, Duda e a outra empregada separavam as coisas do Rodriguinho, guardando seus brinquedos, roupinhas e sapatinhos. Rita, sempre discreta, me ajudava com minhas roupas, dobrando com cuidado e colocando nas malas improvisadas.

Entre uma peça de roupa e outra, meus pensamentos voltavam para tudo o que estava acontecendo. Era como se minha vida estivesse à espera de algo que eu não conseguia controlar. Madrugar para trabalhar, cuidar do meu filho, e agora essa mudança repentina. Tudo girava ao meu redor, e eu só queria que as coisas ficassem bem.

— Sabe, Gisa... vai ser bom você lá em casa. Minha mãe adora bebês, e tenho certeza que será um tempo mais tranquilo para você. — Duda disse, sorrindo ao embalar as coisas do Rodriguinho.

Sorri de volta, mesmo sem saber se concordava. Era um novo começo, e eu só podia esperar que fosse para melhor.

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