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Uma noite, uma vida romance Capítulo 69

GISELE NARRANDO:

Assim que terminamos de organizar tudo, ouvi uma batida leve na porta. Ao abrir, lá estava Dona Sueli, minha vizinha, com aquele olhar curioso que eu já conhecia muito bem. Ela sorriu, mas seus olhos logo focaram nas malas e sacolas espalhadas pela sala.

— Oi, minha filha. Conseguiu outra kitnet? — perguntou, cruzando os braços e apoiando-se no batente da porta.

Respirei fundo, tentando não demonstrar o turbilhão de sentimentos que estava dentro de mim.

— Oi, Dona Sueli. Na verdade, não consegui outra kitnet. Vou ficar um tempo na casa dos avós do Rodriguinho. Eles me convidaram e... acho que vai ser bom.

Os olhos de Dona Sueli se arregalaram de surpresa.

— Na casa dos avós? Mas isso quer dizer que você vai morar com a família do pai dele? Então eles já sabem do menino.

Balancei a cabeça, confirmando.

— É, vou ficar com eles por enquanto. A mãe do Rodrigo insistiu muito e, sabe como é... Essa ordem de despejo com poucos dias, me pegou de surpresa — Sorri meio sem graça. Não era exatamente o que eu tinha planejado, mas estava tentando ver o lado positivo.

Ela franziu a testa, ainda processando a informação, mas logo mudou de assunto.

— Sim querida, todos nós fomos pegos de surpresa. Meu filho alugou dois quartos numa pensão aqui perto. Ele está colocando minhas coisas num depósito até resolver outra kitnet para nós.

Minha cabeça deu um estalo. Eu também estava com essa preocupação de onde guardar minhas coisas.

— A senhora pode me passar o telefone desse depósito? Eu vou precisar deixar minhas coisas em algum lugar também.

— Claro, claro! — Ela tirou o celular do bolso e me passou o número.

Anotei rapidinho, agradecendo. Dona Sueli me deu um sorriso simpático, mas ainda parecia intrigada com a ideia de eu ir morar com os avós do Rodriguinho.

— Bom, qualquer coisa que precisar, é só chamar, viu? Eu volto pra minha casa agora, terminar de arrumar as últimas caixas, tô de olho por aqui.

— Obrigada, Dona Sueli. Pode deixar que eu ligo, assim que resolver tudo — Sorri de volta, e ela se afastou, voltando para a kitnet dela.

Com ela fora, olhei ao redor e percebi que, no fim das contas, nem tinha tanta coisa assim. Os móveis, exceto o berço, eram todos da kitnet. Era estranho, como quase dois anos parecia se reduzir a algumas malas e sacolas. Senti um aperto no peito ao olhar para o berço. Queria tanto levá-lo, mas Duda tinha insistido para eu não me preocupar.

— Gisa, relaxa. Minha mãe já mandou comprar um berço novo pro Rodriguinho. Ele vai ter tudo o que precisa lá em casa. — Duda disse com aquele jeito prático dela, como se o mundo fosse sempre fácil de resolver.

Eu não sabia lidar com tanta gentileza. Desde quando alguém fazia as coisas assim por mim, sem pedir nada em troca? Era estranho e, ao mesmo tempo, me deixava grata. Mesmo que fosse difícil aceitar.

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