RODRIGO NARRANDO:
Era segunda-feira, e o dia começou tão agitado quanto eu imaginava. Desde cedo, minha mesa estava cheia de documentos para revisar, e o telefone não parava de tocar. O mercado financeiro necessitava da minha atenção constante, e as dúvidas sobre a nossa nova criptomoeda são intermináveis.
Investidores bilionários queriam respostas, garantias, e todos queriam a mesma coisa: resultados.
Passei a manhã em reuniões com a equipe, analisando relatórios e estratégias. O Breno, como sempre, foi um dos que mais se destacaram. Ele tem uma habilidade especial para detalhar os números e projetar cenários de longo prazo, o que me fez dar uma missão importante a ele no final da reunião.
— Breno, — Eu disse, me recostando na cadeira. — Quero que você assuma uma análise completa desse novo mercado que estamos explorando. Preciso de um relatório sobre os riscos e as oportunidades. O prazo é apertado, mas confio que você vai entregar algo sólido.
— Claro, chefe,— ele respondeu com um sorriso determinado. — Vou trabalhar nisso agora mesmo.
— Ótimo, é isso que eu gosto de ouvir,— eu disse, dando-lhe um tapinha nas costas ao sairmos da sala de reunião.
Sempre foi bom ter alguém tão empenhado por perto, alguém que eu pudesse confiar em tarefas complexas. Após delegar mais algumas questões, isso fez com que o dia corresse mais tranquilamente.
Porém tranquilidade era uma palavra que não combinava com o restante da minha segunda-feira. Depois da reunião com os investidores, e de uma avalanche de e-mails e ligações, já eram nove da noite. Eu estava exausto, e ainda assim, Virgínia apareceu na porta do meu escritório com mais uma pilha de documentos para revisar.
— Virginia, pelo amor de Deus, chega de trabalho por hoje — Eu disse, passando a mão pelo rosto em sinal de cansaço. — Eu estou aqui desde cedo, já não aguento mais.
— Mas, chefe,— ela insistiu, com aquele olhar sempre atento. — O senhor não veio na sexta nem na quinta, ainda temos muita coisa acumulada. Esses contratos precisam da sua assinatura até amanhã.
— Virginia, amanhã eu vejo isso. Sério, não tem como terminar tudo hoje. E o Cachorro, ele não fica nervoso com você trabalhando tanto assim? — querendo, tentando mudar de assunto e aliviar um pouco a tensão.
Ela hesitou por um segundo, o olhar baixando.
— Está tudo bem, senhor. Já decidimos isso há um tempo. Na verdade, até demoramos para fazer isso. E, além do mais, o senhor me paga o dobro pelas horas extras. Eu tiro férias no final do ano.
Ela saiu da sala com uma frieza que me deixou perplexo. Era raro ver alguém tão focado no trabalho a ponto de abrir mão de todo o resto. Pensei em Vittoria e como, apesar de toda a sua dedicação ao trabalho, ela sempre tirava tempo para a filha e para o Alejandro. E ali estava eu, cansado, mas pensando na Gisele e no Rodriguinho. Desde que eles entraram na minha vida, eu percebi que comecei a fazer pausas nos meus compromissos.
Só de pensar no Rodriguinho, sinto uma saudade enorme. Era como se todos meus problemas desaparecessem só por vê-lo sorrir, por estar com ele. Olhei para o relógio e decidi passar para visitá-lo. Não importava a quantidade de trabalho ou o cansaço, queria dar um beijo de boa noite no meu filho.
Desliguei o computador, peguei as chaves e fui direto para a casa dos meus pais. Era uma vantagem saber que ele estava sendo muito bem cuidado, e ainda melhor poder vê-lo sempre que quisesse.
Saí da empresa com um aceno para os seguranças, sentindo o cansaço do dia nos ombros.
— Até amanhã — murmurei, enquanto me afastava em direção ao meu carro.

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