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Uma noite, uma vida romance Capítulo 83

RODRIGO NARRANDO:

Quando finalmente saímos pelos fundos, paramos em um beco escuro. Gisele tropeçou nos saltos e quase caiu, mas eu a segurei.

— Cuidado, Gisele — Eu disse, segurando-a firme.

— Você me soltou com força, seu idiota. E minhas pernas estão bambas. Acho que a balinha não está mais fazendo efeito... Eu quero outra, Duda — Gisele murmurou, claramente zonza.

— Que porra de balinha ela tá falando? Você deu drogas pra ela? — Eu disse furioso, encarando a Duda.

— Rodrigo, sem sermão. Foi só uma balinha, nada demais — Duda respondeu, mordendo os lábios, sem dar muita importância.

— Eu quero mais, Duda. Me dá outra — Gisele tentou sair dos meus braços, mas suas pernas estavam cruzadas e eu segurei de novo.

— Ótimo, vou contar pra nossa mãe sobre isso, Maria Eduarda. Eu sabia que você era uma influência péssima para Gisele — Eu disse, irritado.

— Ei, não fala assim com ela! A Duda é a melhor pessoa — Gisele sorriu para Duda, que retribuiu o sorriso, ambas claramente fora de si.

— Obrigada, amiga. Eu te amo — Duda disse, estendendo a mão para Gisele, que segurou com carinho.

— Também te amo, amiga. Queria ter uma irmã como você — Gisele respondeu sorrindo.

— Fomos irmãs em outra vida, eu tenho certeza, Gisa — Duda sorriu

— Chega dessa palhaçada. Gisele, vai embora comigo agora! — Eu disse, segurando-a pela cintura.

— O quê? Não vou não — Gisele respondeu, tentando se afastar.

— Claro que ela não vai! — Duda retrucou, irritada.

— Duda, se não quiser que eu faça a sua mãe vir aqui agora te buscar, é melhor não se meter. Ela vai odiar saber que você deu drogas para Gisele — eu ameacei, sério.

— Merda, Rodrigo... Você é insuportável! — Duda disse irritada jogando as mãos para cima.

— Relaxa, amiga. Eu resolvo com ele. Me espera lá dentro, eu já vou — Gisele disse, tentando acalmar a Duda.

— Tem certeza, Gisa? Nós duas podemos impedi-lo — Duda sugeriu, como se as duas, bêbadas, tivessem alguma chance.

— Tenho, amiga. Vou falar com esse babaca — Gisele respondeu, se soltando dos meus braços.

— Tá bom, mas se você não entrar em cinco minutos, eu volto aqui — Duda avisou, ainda desconfiada.

— Volta sim, amiga — Gisele afirmou, sorrindo.

Duda hesitou, mas acabou voltando para dentro da boate. Agora, finalmente, eu estava sozinho com Gisele.

Eu estava tentando manter a compostura, mas não consegui tirar os olhos dela. O cropped apertado valorizava cada curva do seu corpo, delineando sua cintura fina e realçando os decotes generosos. A saia curta exibe suas pernas longas e tonificadas, e o perfume... aquele aroma doce e envolvente que sempre mexia comigo.

Era quase impossível não me deixar afetar.

Mas sua postura era firme, e quando nossos olhares se encontraram, o brilho em seus olhos verdes misturados às bochechas ruborizadas revelava toda a raiva que sentia. Ela cruzou os braços, tentando se proteger, e atirou sem hesitar:

— Que merda você está fazendo aqui, Rodrigo? Sua noiva sabe que você está aqui? Por que você não tá lá com ela agora? — Sua voz saiu de desprezo, mas firme.

Respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas.

— Porque estou preocupado com você, Gisele. A Duda não é uma boa companhia… você não usa essas coisas, não faz essas merdas. Esse lugar não é pra você.

— Nada do que eu faço ou deixo de fazer é da sua conta! — Ela disse aumentando o tom de voz, olhando para mim com determinação. — Eu sou maior de idade, e você não é ninguém pra me dizer como agir.

— Gisele, não fala besteiras...

— Besteiras? — Ela me olhou de cima a baixo com desdém. — Escuta bem, Rodrigo, vou falar tudo que eu estou guardando aqui há muito tempo!

Eu sabia que isso não acabaria bem.

— Gisele, agora não é o momento...

— Agora é sim! Você foi na minha casa fazer escândalo, então agora é minha vez! — Ela se afastou de mim, com a raiva e o álcool claramente juntas em seus pensamentos. — Você e aquela adúltera se merecem. Dois sem caráter! Eu só quero distância de vocês dois!

— Gisele, chega... — implorei, tentando manter o controle.

— Chega você! O que você quer de mim, Rodrigo? O que ainda está fazendo aqui? — Ela gritou.

— Eu quero te tirar daqui. Você não vai voltar para essa boate de novo.

Ela deu uma risada sarcástica.

— Se eu quiser, eu volto. Eu sou solteira, lembra? Posso até sair daqui grávida de outro, já que sou tão fértil, né? Acho que vou distribuir até dar um irmãozinho pro Rodriguinho.

Aquilo foi demais.

Sem pensar, a puxei com força e a joguei sobre meu ombro, sentindo o corpo dela tenso contra o meu.

— Nem fodendo que vou deixar você entrar lá de novo. Vem comigo!

— Me solta, seu louco! — Ela começou a gritar e se debater. — Socorro! Me solta, Rodrigo!

Mas eu não vou soltar, não dessa vez.

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