RODRIGO NARRANDO:
Dei a volta rapidamente com ela pela lateral ao lado de fora, indo até a frente, chamando o manobrista que foi buscar meu carro rapidamente, enquanto Gisele continuava a se debater, atraindo olhares curiosos para nós, mas eu não me importei. Apenas a coloquei no banco do carona, e prendi - a no cinto assim que meu carro chegou, fui rapidamente para o banco do motorista e acelerei.
Eu não sabia se devia rir ou me preocupar, ela estava completamente fora de si, gritando, me batendo com socos nos braços, e agora se jogando de cabeça para fora do carro, como se o vento forte pudesse varrer todas as nossas brigas. Eu tentei manter o foco na estrada, mas, ao mesmo tempo, me via tentando proteger cada detalhe dela — desde a saia que subia demais até o cabelo que ela jogava de um lado para o outro.
O silêncio foi quebrado pelo som da voz irritada dela.
— Isso é sequestrado, sabia? — ela gritou, ainda tentando se desvencilhar.
— É para o seu bem — respondi, mais calmo do que me senti.
— Nada do que você faz é para o meu bem, Rodrigo. Você é um egoísta. — O jeito que ela disse isso, com tanto desprezo, me atingiu em cheio.
Eu respirei fundo e tentei manter a calma.
— Isso não é verdade. Eu passo todos os dias pensando em você e no Rodriguinho, querendo fazer o melhor.
— Claro, agindo escondido pelas minhas costas! Grande gesto de querer fazer o melhor — Ela bufou, e o deboche em sua voz era cortante.
Ela estava certa. Eu errei. Fiz tudo errado. Mas eu só queria voltar no tempo e consertar as coisas.
— Eu errei, Gisele, pelo amor de Deus, já falei que nunca mais vou repetir o erro de fazer algo escondido de você.
Ela só balançou a cabeça e levantando sua mão para o vento que bagunçava seus cabelos.
— Suas palavras são iguais a isso aqui... vento.
Era difícil conseguir o perdão dela.
O carro estava em movimento, mas Gisele, sem nenhum cuidado, desabotoou o cinto e levantou os joelhos, deixando o corpo meio fora da janela. Meu coração disparou.
— Gisele, senta! Não faz isso, você pode cair — eu disse, preocupado, tentando puxá-la pela cintura.
— Ah, me deixa, Rodrigo! — Ela disse, com aquele sorriso despreocupado que eu não via há tempos. — Agora entendi por que você gosta tanto desse carro. Eu sempre quis fazer isso.
Ela jogou a cabeça para trás, com os cabelos balançando com o vento, os braços abertos como se fossem asas.
Porra, ela era linda.
E, por um segundo, fiquei hipnotizado. Eu tentava focar na estrada, mas meus olhos sempre voltavam para ela.
— Vai mais rápido! — Ela riu, com o som ecoando como se estivesse longe das nossas brigas e mágoas.
— Você é louca… quanto você bebeu? — Eu disse, rindo apesar da preocupação, porque era a primeira vez em muito tempo que a via tão leve.
— Um pouco, não o suficiente, já que você estragou minha noite — ela respondeu, frustrada, finalmente se sentando no banco.
— Eu te salvei de fazer a maior loucura da sua vida. — Eu disse isso porque, no fundo, tinha medo do que poderia ter acontecido se eu não tivesse aparecido.
Ela me olhou com um brilho nos olhos, e aquela frase dela veio como uma facada.

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